Portugal

Marcelo e Costa em "adeus institucional". "Fomos e somos felizes"


O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o antigo primeiro-ministro, António Costa, asseguraram, esta sexta-feira, que a despedida entre ambos é meramente “institucional”, ao mesmo tempo que vincaram que a amizade que “durou décadas” prevalecerá. O presidente do Conselho Europeu assinalou, inclusive, que nunca duvidou de que eram “muito felizes”, a propósito dos oito anos que viveram em coabitação.

“Tradicionalmente, o Presidente da República Portuguesa, ao terminar o mandato, vai a um país vizinho, que é a Espanha. Acrescentei a Santa Sé, porque reconheceu a nossa independência. O que há de novo é vir como última deslocação à União Europeia (UE). Venho, no fundo, agradecer à Europa aquilo que foi uma grande escolha para o destino de Portugal, para o nosso passado recente, para o nosso presente e para o nosso futuro”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, em Bruxelas.

O responsável apontou que o sonho europeu era não só o sonho da sua geração, mas também da geração de Costa, de quem foi docente. “Ambos tivemos uma juventude marcada por alguns sonhos. […] A Europa foi um sonho plenamente realizado”, apontou.

E frisou: “Não podia sair mais feliz, quer das funções que exerço, quer da política, se não num momento em que a Europa reafirma a sua vitalidade, a sua força, a sua recuperação económica, a sua fidelidade em termos de segurança e defesa, a sua abertura ao mundo.”

Marcelo alertou, contudo, que “o sonho europeu tem de ser alimentado todos os dias”, uma vez que “não há Portugal sem sonho europeu, não há Portugal sem uma Europa forte, não há uma Europa forte sem Portugal”.

Questionado quanto às declarações de Marcelo, que considerou, no final de 2024, que Costa “um dia reconhecerá que [eram] felizes e não [sabiam]“, o antigo primeiro-ministro ressalvou que nunca duvidou da felicidade que nutriram durante os oito anos de coabitação.

“Nunca tive dúvidas de que éramos muito felizes. A dúvida era mais de quem, contrariando o otimismo saudável, cultivava por vezes algum pessimismo menos produtivo. Acho que ficámos bem e todos concordamos que fomos felizes e somos felizes”, explanou, ao mesmo tempo que concretizou que “é só um adeus institucional”.

Nessa linha, Marcelo recordou que se criou “uma amizade e essa amizade durou décadas”, antes de exercerem os cargos de chefe de Estado e de chefe do Governo.

“Houve uma coincidência que foi o cume de uma convergência inesperada, que foi estarmos os dois e o engenheiro [António] Guterres juntos num momento em que o primeiro português chegava a secretário-geral das Nações Unidas”, disse, vincando que, “de facto, Portugal é muito mais poderoso e mais forte do que os portugueses pensam”.

Recorde-se que Marcelo encontra-se em Bruxelas, naquele que deverá ser o último encontro de alto nível entre a dupla que marcou a política nacional.

O chefe de Estado cessará funções no dia 9 de março, data em que o novo Presidente da República, António José Seguro, tomará posse perante a Assembleia da República.

O Presidente da República encontra-se hoje em Bruxelas com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, numa despedida das instituições europeias que deverá ditar o último encontro de alto nível entre a dupla que marcou a política nacional.

 Lusa | 06:15 – 27/02/2026



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