A líder opositora venezuelana e Prémio Nobel da Paz, Maria Corina Macho, anunciou, nesta segunda-feira, que regressará “muito em breve” ao país para consolidar uma grande força para exigir a realização de eleições livres numa “Venezuela livre”.
Matias Delacroix/AP
“Quero dizer-vos que muito em breve estarei de volta convosco. Muito em breve. Vamos construir esta força em um grande acordo pela democracia e pela liberdade. Esses grandes acordos e consensos da Venezuela que já está a emergir, porque, à medida que esta tirania é desmantelada, nasce simultaneamente a nova era da Venezuela livre”.
O anúncio da líder opositora foi feito num vídeo divulgado durante uma conferência de imprensa em que a Plataforma Unitária Democrática (PUD), que reúne os principais partidos da oposição, apresentou a “folha da rota para alcançar uma transição democrática” na Venezuela.
Maria Corina Machado recordou parte dos obstáculos que os venezuelanos sofreram nos últimos anos, das lutas e estratégias de uma oposição que viu muitos dos seus elementos presos e perseguidos, mas que conseguiu recolher 25.000 atas demonstrando que o seu candidato, Edmundo González Urrutia, ganhou as eleições presidenciais de 28 julho de 2024.
“Estabelecemos um novo padrão na defesa do voto em todo o mundo, ao estilo venezuelano. E é por isso que hoje estamos prontos para avançar, porque não há outra sociedade no mundo mais bem preparada para a democracia e para uma transição genuína e completa do que a sociedade venezuelana”, disse.
Por outro lado, referiu-se à operação militar norte-americana, realizada em 3 de janeiro em Caracas, que levou à captura do então Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e da mulher, Cília Flores, que estão atualmente presos em Nova Iorque para responder a acusações de tráfico de droga, embora se declarem inocentes.
“Vimos então como chegou finalmente janeiro de 2026. E quem estava à frente deste regime criminoso enfrenta hoje a justiça, com o apoio da comunidade internacional […] e toda a verdade virá ao de cima”, disse.
Maria Corina Machado comparou o que aconteceu nesse dia à abertura de um buraco numa barragem contida que se encheu de dor, humilhação, perseguição e medo, mas também de resiliência, aprendizagem, amor e coragem, e começou a fluir.
“Sempre que um dos nossos presos era libertado, ligavam-me por telefone e a primeira coisa que me diziam, ainda à porta da prisão, nos centros de tortura, era: ‘já descansei o suficiente, dá-me instruções, vou começar a lutar hoje'”, contou, assegurando que os venezuelanos estão unidos.
“Vejamos todo o caminho que percorremos. Nunca estivemos tão bem preparados para este final. A Venezuela vai avançar nesta transição. A Venezuela será livre e voltaremos para garantir que a democracia, a liberdade e a paz nunca mais deixarão de prevalecer no nosso país”, acrescentou.
Contudo, alertou, vai ser necessário muito esforço para transformar uma terra devastada numa terra de graça, num processo que já “não tem volta a trás”.
“Não há volta a dar”, defendeu.
