A comissária considera que os europeus devem ter mais oportunidades para pôr as poupanças a render nos mercados de capitais e diz que quem investiu há 20 anos já recuperou da última crise.
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As famílias europeias guardam 11 biliões de euros em depósitos. No caso de Portugal, são 200 mil milhões de euros à ordem e a prazo, dinheiro que a Comissão Europeia considera que podia estar a render mais nos mercados de capitais e a alavancar a competitividade europeia.
Em entrevista à SIC e Expresso, Maria Luís Albuquerque, comissária responsável pelos Serviços Financeiros e União da Poupança e dos Investimentos, propõe uma aposta segura:
“Algum dinheiro deixa-se ficar num depósito, porque a qualquer momento temos uma emergência e esse dinheiro está acessível. Depois há uma parte que devemos pensar em investir nos mercados de capitais. Outra parte podem ser produtos com algum tipo de garantia, por exemplo, associados à indústria seguradora.”
A comissão recomenda aos governos que dêem benefícios fiscais à criação de contas poupança e investimento, que existem em países como a Dinamarca, mas não em Portugal. Contas com maior rentabilidade do que os depósitos, mas também mais risco, ainda que moderado.
A comissária que foi ministra das Finanças quando Portugal recuperava da crise financeira lembra que sem risco não há retorno.
Este é o tempo certo para fazer investimentos incertos?
“Se alguém investir agora para daqui a 20 ou 30 anos, o momento político atual é relevante para o resultado? Não me parece que seja. Vamos imaginar que era alguém que tinha investido pouco antes da crise, em 2006. Já mais do que recuperou dessa crise, certo?”, aponta, ressalvando que devem ser sempre feitos “investimentos diversificados”.
Bruxelas pede também benefícios fiscais para o reforço das pensões complementares privadas.
“O sistema público é para continuar, mas é para desenvolver pensões ocupacionais, relacionadas com o trabalho, ou pensões pessoais, em que as pessoas livremente afetam uma parte do seu rendimento para o futuro, para complementar aquilo que virá do sistema público, porque manifestamente para as futuras gerações isso vai ser insuficiente.”
Uma lógica que, admite Maria Luís Albuquerque, pode não valer para quem está perto dos 60 anos e da reforma.
“Para mim, na idade que tenho, não faria sentido colocar as minhas poupanças todas no mercado de capitais. Porque se tivesse o azar de apanhar uma fase de uma crise financeira, como tivemos muitas no passado, já não tenho vida útil para recuperar. Para os meus filhos, já faria.”
A comissária diz que o objetivo é dar oportunidades de rendimento às famílias, mas garante que Bruxelas não vai impor nada.
