[
A presidente do Parlamento Europeu condenou os ataques do Irão aos países do Golfo, considerando que são “ações de um regime desesperado que tenciona espalhar o caos na região”.
Yves Herman/Reuters
A presidente do Parlamento Europeu assegurou esta segunda-feira que a União Europeia irá responder de “forma firme e unida” se algum Estado-membro for atacado no âmbito do conflito no Médio Oriente, garantindo aos cipriotas que não estão sozinhos.
Numa declaração na abertura da sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo, Roberta Metsola condenou os ataques do Irão aos países do Golfo, considerando que são “ações de um regime desesperado que tenciona espalhar o caos na região”, antes de abordar a situação de Chipre, onde uma base aérea britânica foi atingida por ‘drones’.
“Sei que o povo de Chipre está preocupado e quero ser inequívoca: não estão, e nunca estarão, sozinhos. A solidariedade europeia é real, tangível e, ao vosso lado, enviaremos a mensagem clara de que a Europa se mantém firme e unida porque a segurança de Chipre é a segurança da União Europeia (UE)”, afirmou.
A presidente do Parlamento Europeu frisou que “qualquer ameaça a um Estado-membro da UE é inaceitável” e assegurou que, “se a determinação da UE for posta à prova”, o bloco irá agir em uníssono.
Apelando a que o Irão “cesse imediatamente” os ataques e “reduza as tensões”, Metsola frisou que este “tem de ser o momento” do povo iraniano que “atravessou décadas de escuridão” e de “todos aqueles que sofreram às mãos dos aliados do regime”.
Este deve ser o momento de “milhares de pessoas assassinadas, executadas e desaparecidas à força, das mães que vasculharam armazéns cheios de corpos, das gerações condenadas ao exílio, de cada prisioneiro político torturado ou injustamente preso, de cada filho sumariamente enforcado numa grua numa praça pública, de cada europeu inocente mantido refém pela Guarda Revolucionária, das mulheres, da vida, da liberdade”, afirmou.
Depois desta breve intervenção relacionada com o Irão, Roberta Metsola também abordou a explosão ocorrida esta madrugada em frente à sinagoga de Liège, no leste da Bélgica, frisando que “as intenções antissemitas por detrás do ato são inconfundíveis”.
“Sei que as autoridades belgas vão fazer tudo ao seu alcance para levarem os responsáveis à Justiça, mas a Europa tem de ser um lugar onde a população judaica pode viver livremente, sem medos, e onde uma sinagoga é um lugar de reza e de comunhão e não um alvo”, afirmou.
Metsola referiu que o Parlamento Europeu leva essa responsabilidade “muito a sério”, frisando que está a trabalhar para “combater o antissemitismo e o ódio religioso, para proteger a vida judaica e para enfrentar o ódio onde quer que ele apareça”.
“A vida judaica faz parte da Europa e a Europa vai defendê-la sempre”, disse.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro uma ofensiva militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”.
Em resposta, o Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre, no Azerbaijão e na Turquia.
