“Nós não desistiremos de conseguir que a urgência pediátrica de Chaves esteja de facto aberta todos os dias da semana. Temos que ser focados, persistentes e não desistir. Havemos de encontrar os médicos que queiram vir trabalhar connosco em Chaves”, afirmou Ana Paula Martins, que falava à margem da inauguração das obras de requalificação do centro de saúde de Boticas, no distrito de Vila Real.
Em dezembro, o diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Álvaro Almeida, assumiu o compromisso de ampliar o funcionamento da urgência pediátrica do Hospital de Chaves até às 22:00, sete dias por semana, medida que, no entanto, disse ficar dependente do reforço de médicos.
Atualmente a urgência pediátrica está aberta das 08h00 às 20h00, apenas entre segunda e sexta-feira, e tem localmente sido reclamada, pela população e autarcas, uma melhoria no horário de funcionamento deste serviço.
Antes de chegar a Boticas, a ministra esteve reunida no hospital de Chaves, com a administração da Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD).
“O nosso desejo é efetivamente cumprir aquilo que prometemos em Chaves, que é ter o serviço de pediatria aberto todos, a urgência nomeadamente, aberta todos os dias, mas eu tenho que lhe dizer que não conseguimos (…) até este momento encontrar pediatras em número suficiente para poder cumprir este objetivo, que é um objetivo que perseguimos e prosseguimos”, salientou depois aos jornalistas.
O centro de saúde de Boticas sofreu obras de requalificação de cerca de 800 mil euros, financiadas pelo Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), visando melhorar acessibilidades, o conforto e segurança dos utentes e profissionais e de aumentar a eficiência energética.
Ana Paula Martins disse que todos os 5.500 utentes inscritos deste centro de saúde têm médico de família.
“Quem me dera que na zona da Amadora, Sintra, Loures, Odivelas, Península de Setúbal, algumas regiões do Alentejo e Algarve e também do centro do país conseguíssemos atingir esta meta. É uma meta absolutamente determinante conseguir de facto ter todos os nossos utentes inscritos no Registo Nacional de Utentes com médico de família atribuído”, salientou, durante o seu discurso.
Porque isto representa, acrescentou, o acesso ao médico de família, ao enfermeiro de família e a toda uma “carteira de serviços que é absolutamente determinante” para se conseguir ter uma saúde de qualidade.
“Quando um dia conseguirmos atingir este objetivo, eu acredito que um dia o conseguiremos atingir, mas vai levar tempo, teremos um país mais desenvolvido”, frisou.
A ministra realçou ainda a teleconsulta que passará a estar disponível em Boticas, permitindo que os utentes possam realizar consultas hospitalares sem necessidade de deslocação aos hospitais de Vila Real ou de Chaves.
“Uma solução que é particularmente importante, a telessaúde, para territórios do interior, mas deixem-me dizer-vos que não é só para territórios do interior, é para todo o território”, salientou.
A ministra lembrou o plano na área da telessaúde, financiado pelo PRR, que vai ajudar a “fazer esta cobertura integral”.
O presidente da Câmara de Boticas, Guilherme Pires, aproveitou para propor a criação de uma unidade com 21 camas sociais, requalificando outro espaço do centro de saúde, que serviria, entre outros, para apoiar pessoas após alta hospitalar que precisem de cuidados intermédios.
Sara Mota, presidente do conselho de administração da ULSTMAD, realçou os 60 milhões de euros de investimentos já executados, em curso ou em fase de planeamento destinados a esta ULS que agrega os hospitais de Vila Real, Chaves, Lamego e 23 centros de saúde.
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