O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, esteve na antena da SIC Notícias, na noite desta terça-feira, para assinalar os quatro anos de guerra na Ucrânia. Questionado sobre se 2026 poderia ser o ano em que a paz será alcançada, assumiu que as várias “negociações que não têm sido muito produtivas”, mas que a responsabilidade é “quase exclusiva da Federação Russa”.
“A situação de impasse que se vê no terreno, a circunstância de a Rússia estar numa situação muito difícil do ponto de vista económico”, juntamente com “uma maior boa vontade dos Estados Unidos” que, a partir de certo momento, começou a “acolher algumas das posições ucranianas”, pode significar que “há chances de 2026 ser o ano em que termina esta guerra”, admitiu, considerando, no entanto que “isso é algo que não podemos prever”.
Rangel sublinha que “há uma coisa que é clara”. “A Ucrânia tem feito enormes esforços para se aproximar de uma posição que seja aceitável pela Federação Rrussa. Não pode fazer mais. Tudo o que fizer a seguir será claudicar e ceder, dando uma vitória expressiva à Rússia, não detendo o regime de Putin na sua vontade expansionista. Há condições para um acordo, mas está tudo do lado da Federação Russa. Se não mudar de posição, se continuar obstinada como está, provavelmente para o ano estaremos aqui a assinalar os cinco anos da guerra”, atirou.
Dialogar com Putin?
Sobre se a Europa deveria ou não ter entrado em conversações com o presidente russo, Vladimir Putin, Rangel considerou que “não era estritamente necessário”. “Portugal tem uma posição bastante flexível. Não há necessidade de fazer esse diálogo. Não vai adiantar muito. Mas, ao contrário de um ou outro parceiro europeu, que ficaram muito incomodados pela França por exemplo ter querido fazer esse movimento, Portugal não fica. O ideal talvez não fosse isso, para não multiplicar esforços que possam criar algum ruído em volta das negociações, mas também não acho que seja fatal ou grave se for em busca de uma solução”, explicou o titular da pasta da diplomacia portuguesa.
“Esse diálogo não vai adiantar de muito”, garantiu, recordando que a agressão russa “abriu um precedente gravíssimo” para o princípio da estabilidade das fronteiras e tem de “ser travado”.
Rangel deseja que se encontre “uma solução em que ninguém saia humilhado”, mas sem “dar ganho de causa à Rússia”.
O papel dos Estados Unidos e Donald Trump
O ministro dos Negócios Estrangeiros lamenta ainda que Donald Trump nunca tenha visitado a Ucrânia e que os Estados Unidos tenham mudado de posição: “É pena”. Notando ainda que “há outro parceiro” que poderia ter influência no desfecho do conflito: “a China tem uma capacidade de influenciar a Rússia que é muito importante”.
“Mas não há dúvida que os Estados Unidos estão numa posição única para fazer esta mediação. O presidente Trump e a sua administração têm uma capacidade de intervenção que mais nenhum país tem neste conflito”, notou ainda.
Sobre que paz deseja para a Ucrânia, Rangel rematou: “deveria, idealmente, ser justa e duradoura”, sem cedências de território que não fossem aceites pelos ucranianos e com garantias de segurança.
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