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Um estudo arqueológico revela que a recolha de moluscos era uma prática regular e planeada no Mesolítico. Estes recursos tiveram um peso central na dieta e na organização económica das comunidades pré-históricas.
Cesare Ferrari
Os moluscos eram um alimento básico na dieta das populações do Mesolítico, e não apenas um recurso de emergência, de acordo com um estudo. O papel dos moluscos nas estratégias de subsistência pré-históricas tem sido alvo de debate científico, uma vez que a sua importância tem sido considerada secundária e o seu consumo ocorria sobretudo em tempos de escassez ou como suplemento alimentar.
A comparação destes dados com as épocas de obtenção de outros alimentos através da caça, pesca e recoleção levou à conclusão de que os moluscos contribuíram “substancialmente para a viabilidade do sistema económico destas populações”.
A investigação concluiu ainda que as zonas costeiras do Mar Cantábrico eram habitadas por populações mesolíticas durante todo o ano, mas cada sítio era ocupado em diferentes estações do ano ou para diferentes fins, o que sugere um certo grau de mobilidade dos indivíduos entre a costa e o interior.
A presença de moluscos na dieta das populações do Mesolítico noutros locais tem despertado o interesse de outros investigadores, estudiosos e interessados nas estratégias de subsistência pré-históricas.
O estudo, desenvolvido no âmbito de um projeto do Plano de Investigação do Estado, contou com a participação de investigadores do Centro Leibniz de Arqueologia (Alemanha), da Universidade de Burgos, da Universidade de York e da Universidade Metropolitana de Manchester (Reino Unido).
