“Foi com enorme tristeza que recebi a notícia da morte de Nuno Morais Sarmento. Ao longo de décadas desenvolvemos uma enorme amizade e cumplicidade política”, disse Durão Barroso, num testemunho enviado à agência Lusa.
O advogado, antigo ministro da Presidência e dirigente do PSD Nuno Morais Sarmento morreu hoje, aos 65 anos.
Durão Barroso contou que a sua amizade com Nuno Morais Sarmento se iniciou na Faculdade de Direito e estendeu-se “muito para lá disso”.
“Foi ministro da Presidência no governo que dirigi e foi vice-presidente do PSD durante toda a minha liderança, lugares que exerceu como só ele sabia: com inteligência e coragem”, assinalou.
O ex-primeiro-ministro sublinhou ainda que Nuno Morais Sarmento enfrentou, nos últimos anos, uma doença muito grave que pôs à prova a sua resistência e que foi conseguindo, com coragem, atravessar os muitos obstáculos que lhe foram surgindo.
Durão Barroso destacou que o antigo ministro da Presidência aceitou, em 2024, o desafio de presidir à Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) porque, apesar da sua debilidade física, quis continuar a dar o seu contributo à sociedade.
“Em janeiro considerou não ter condições físicas e de saúde para prosseguir. Foi com honra que aceitei suceder-lhe na presidência da FLAD”, concluiu.
Nuno Morais Sarmento foi ministro da Presidência do XV Governo, chefiado por Durão Barroso, entre 2002 e 2004, e depois ministro de Estado e da Presidência, também com a tutela dos Assuntos Parlamentares, do XVI Governo chefiado por Pedro Santana Lopes, até 2005 — dois executivos de coligação PSD/CDS-PP.
No PSD, foi vice-presidente nas direções de Durão Barroso e de Santana Lopes e, mais recentemente, de Rui Rio.
Teve nos últimos anos um cancro no pâncreas, que obrigou a prolongadas hospitalizações e várias cirurgias. Depois disso, foi presidente da FLAD entre agosto de 2024 e janeiro deste ano, quando apresentou a demissão invocando falta de condições pessoais e de saúde.
Nuno de Albuquerque de Morais Sarmento, nascido em Lisboa, em 31 de janeiro de 1961, licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, em 1984, com uma pós-graduação em Direito Comunitário, pela mesma universidade, em 1996.
Foi também assessor da Provedoria da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, membro fundador da Comissão Nacional de Proteção de Dados, membro do Conselho Superior do Ministério Público e da Autoridade de Controlo Comum de Schengen.
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