A museóloga Madalena Braz Teixeira, antiga diretora do Museu Nacional do Traje durante 25 anos e figura central do estudo desta área em Portugal, morreu domingo, em Setúbal, aos 87 anos, disse à agência Lusa fonte da família.
Madalena Braz Teixeira / FACEBOOK
Madalena Braz Teixeira morreu no hospital de Setúbal, vítima de um acidente vascular cerebral, segundo a mesma fonte.
Nascida em Lisboa, em 1938, licenciou-se em Histórico-Filosóficas e prosseguiu estudos em museologia, área em que se especializou, tendo obtido os graus de mestrado e doutoramento.
Ao longo da carreira foi professora universitária em várias licenciaturas e cursos de mestrado, mantendo também atividade de investigação nas áreas da história da arte, da museologia e do património cultural.
Essencial na modernização da museologia do traje
Madalena Braz Teixeira ficou particularmente associada ao Museu Nacional do Traje, instituição em Lisboa que dirigiu entre 1983 e 2008, desempenhando um papel determinante na modernização da museologia do traje em Portugal.
Durante esse período promoveu a valorização do traje e da moda como documentos históricos, sublinhando a importância do vestuário como testemunho das transformações sociais, políticas e culturais ao longo do tempo.
A investigadora publicou e coordenou diversos estudos dedicados à história do traje, à evolução da moda em Portugal e às questões da museologia, contribuindo para o desenvolvimento desta área de investigação no país reconhecido no setor.
Entre as obras associadas ao seu nome destaca-se o livro “Moda do Século 1900-2000” (2000), dedicado à evolução do vestuário em Portugal ao longo do século XX, e também “Os Primeiros Museus Criados em Portugal” (1984), “O Brinquedo Português” (1987), “Traje Império e a sua época” (1993), “Trajes Míticos da Cultura Regional Portuguesa” (1994) “Roteiro do Museu Nacional do Traje” (2005) e “O Triunfo da Joalharia”, (2007).
No plano cultural, participou também no processo de transformação da residência da fadista Amália Rodrigues em casa-museu, contribuindo para a valorização do património ligado à artista.
Pelo seu contributo para os museus portugueses, Madalena Braz Teixeira recebeu distinções atribuídas pela Associação Portuguesa de Museologia, nomeadamente em 2012, o Prémio Personalidade, pela “carreira e contributo do premiado para os museus, a museologia e para o património cultural”.
Em 2008, quando deixou o Museu do Traje por aposentação, em declarações à agência Lusa, Madalena Braz Teixeira recordou o momento em que entrou como voluntária, em 1975, passou depois a dirigi-lo em 1983, tendo-se ausentado apenas três anos para chefiar a Divisão de Museus no então Instituto Português do Património Cultural (IPPC), um momento importante na carreira da responsável porque acompanhou a génese de muitos museus nas autarquias do país.
O Museu do Traje “foi o primeiro a ser criado depois da Revolução de Abril, o primeiro com um serviço educativo oficial, teve exposições temporárias além da exposição permanente, algo inédito na época, fazia uma museologia fora do tradicional”, descreveu à Lusa, na altura.
Entre os pontos altos da sua direção, Madalena Braz Teixeira recordou a exposição “Travessia sobre a época de Fernando Pessoa”, que atraiu, nos anos 1980, 120 mil visitantes, e a exposição da coroa do Príncipe de Gales, “que ficou três semanas em exposição no Museu, com filas à porta”.
“Algumas pessoas até duvidaram, mas foi a coroa autêntica”, salientou, como uma das iniciativas de que se orgulhava ter sido a responsável neste museu instalado no Palácio Angeja-Palmela, ao Paço do Lumiar, criado com base numa coleção vinda do Museu Nacional dos Coches, constituída por cerca de 7.000 trajes e acessórios que, em parte, pertenceram à Casa Real portuguesa.
Nestas coleções do museu domina o vestuário civil feminino, mas também são compostas por roupas da corte do século XVIII, indumentária masculina e de criança, e ainda malas, chapéus, leques, sapatos, xailes e roupa interior.
