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Uma mulher foi esta quinta-feira condenada a 13 anos de prisão por manter uma mulher em cativeiro durante mais de 25 anos e escravizá-la, na cidade de Tewkesbury, em Inglaterra. A vítima tem perturbação do desenvolvimento intelectual, uma condição que se traduz em dificuldades cognitivas.
Quarto da vítima de Amanda Wixon
Polícia de Gloucestershire
A vítima, cujo nome não foi revelado e que tem dificuldades de aprendizagem, foi mantida em cativeiro desde 1995. Chegou a casa de Amanda Wixon, que tem 10 filhos, com 16 anos para passar apenas um fim de semana e por lá ficou. Foi resgatada em 2021, com 42, subnutrida e com marcas de violência. Tinha cicatrizes no rosto e calos grandes nos pés e tornozelos.
Wixon assumiu a responsabilidade pela vítima, com quem tinha ligações familiares, e foi recebendo dinheiro ao longo de todos estes anos por ‘cuidar’ dela. Contudo, fez precisamente o contrário.
Cerca de cinco anos depois de ter sido resgatada pela polícia, o tribunal de Gloucester condena Amanda Wixon a 13 anos de prisão, considerando-a “cruel”.
A agressora, de 56 anos, nega ter feito algo de errado e não demonstra qualquer arrependimento.
“O tratamento cruel e desumano de Wixon a uma mulher extremamente vulnerável é difícil de compreender, assim como a falta de remorsos e negação dos crimes”, declara Emma Jackson, da Polícia de Gloucestershire.
Segundo o The Guardian, Wixon espancou a vítima regularmente, arrancou-lhe dentes, obrigou-a a beber detergente de lavar a loiça e mandou-lhe água da sanita para a cara.
A vítima só comia restos de comida, não podia sair de casa, não tinha acesso a cuidados médicos e era obrigada a tomar banho secretamente à noite. Dormia em cima de paletes de madeira num pequeno espaço que as autoridades descrevem como uma cela de prisão.
De acordo com um comunicado da polícia, além de todas as tarefas domésticas, era obrigada a passar horas de joelhos todos os dias.
A vítima relata, de acordo com o jornal britânico, que viveu “com medo, controlo e abusos”. “Fui tratada como se a minha vida, a minha liberdade e a minha voz não importassem. Os traumas e os pesadelos são algo que ainda carrego comigo todos os dias”.
A mulher mantida em cativeiro tem uma deficiência intelectual, uma condição que se traduz em dificuldades no desenvolvimento cognitivo, segundo a BBC.
Apesar dos traumas e de não ter os 25 anos de volta, diz que agora vive com uma família adotiva “maravilhosa” que lhe mostra “bondade, paciência e apoio”. A BBC acrescenta que entrou para a faculdade, faz terapia e já foi de férias.
“O amor deles está a ajudar-me a reconstruir lentamente a vida que me foi tirada e a começar a sentir-me segura novamente”, afirma a vítima.
O The Guardian adianta que uma vizinha ter contactado os serviços sociais, após ver a vítima a bater à janela para pedir ajuda, mas acusa-os de nada terem feito.
