Apesar das ameaças, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros declarou que o Irão e os Estados Unidos chegaram a um entendimento sobre “um conjunto de princípios orientadores” que podem abrir caminho a um acordo, no decurso das negociações na Suíça.

Dado Ruvic
O Irão e os Estados Unidos concluíram esta terça-feira, em Genebra, a segunda sessão de negociações num contexto ainda muito tenso, com o guia supremo iraniano a advertir que o porta-aviões norte-americano presente no Golfo poderá ser afundado.
No momento em que as duas delegações se encontravam na residência de Omã, país mediador das conversações, o ayatollah Ali Khamenei proferiu um discurso virulento, garantindo que a América jamais conseguirá destruir a República Islâmica.
Perante o destacamento no Golfo do porta-aviões USS Abraham Lincoln, o dirigente, de 86 anos, endureceu o tom.
“Um navio de guerra é certamente uma arma perigosa, mas a arma capaz de o afundar é ainda mais perigosa”, afirmou.
O porta-aviões – que transporta cerca de 80 aeronaves – e os navios de escolta encontram-se atualmente a cerca de 700 quilómetros da costa iraniana. Um segundo, o Gerald Ford, deverá juntar-se-lhe, em data ainda incerta.
A declaração de Ali Khamenei surge numa altura em que os Guardas da Revolução, o exército ideológico do país, realizam manobras militares, com contornos de demonstração de força, no estreito de Ormuz, ponto de passagem estratégico para o comércio mundial de petróleo.
Por razões de “segurança”, durante estes exercícios, o estreito será parcialmente encerrado durante “algumas horas”, informou na terça-feira a televisão estatal iraniana.
O Irão e os Estados Unidos tinham retomado o diálogo a 6 deste mês, em Mascate, capital de Omã, após uma escalada de ameaças de parte a parte. Desta vez, reuniram-se na residência do embaixador de Omã em Cologny, comuna vizinha de Genebra, para cerca de três horas e meia de conversações por troca de mensagens, segundo os meios de comunicação iranianos.
Chegada durante a manhã, a delegação norte-americana deixou o local cerca das 12:45 de Lisboa, seguida pouco depois pela iranians, segundo reportou a AFP. As delegações foram chefiadas, de um lado, pelo emissário Steve Witkoff e pelo genro de Donald Trump, Jared Kushner, e, do outro, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi.
Nada foi adiantando sobre as negociações realizadas à porta fechada, mas o Irão tinha saudado na segunda-feira as conversas anteriores em Mascate. À luz dessas primeiras discussões, sublinhou segunda-feira o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, “pode-se concluir, com prudência, que a posição norte-americana sobre a questão nuclear iraniana se tornou mais realista”.
Esta terça-feira, Baqaei recordou que, para Teerão, qualquer acordo com Washington deve ser acompanhado de um levantamento das sanções, dois elementos “indissociáveis”.
EUA e Irão entendem-se sobre “princípios orientadores” para acordo
O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros declarou esta terça-feira que o Irão e os Estados Unidos chegaram a um entendimento sobre “um conjunto de princípios orientadores” que podem abrir caminho a um acordo, no decurso das negociações na Suíça.
“Chegámos a um amplo acordo sobre um conjunto de princípios orientadores, na base dos quais avançaremos e começaremos a trabalhar num texto de um potencial acordo”, declarou Abbas Araghci à televisão estatal iraniana, classificando a nova sessão de negociações como “mais construtiva” do que a que decorreu a 6 de fevereiro em Omã.
Foi decidido que as duas partes “continuarão os seus trabalhos nos projetos de redação”, sendo depois anunciada uma data para uma terceira sessão“, acrescentou.
