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No MobiBoom, Maria João Calha, diretora de Sustentabilidade da companhia, explica como a aviação pode reduzir emissões através de frota mais eficiente, novas práticas a bordo e combustíveis alternativos. Oiça aqui o podcast de mobilidade do Expresso
A sustentabilidade deixou de ser um slogan na TAP: é hoje um dos cinco pilares estratégicos da companhia, ao nível da experiência do passageiro ou da performance operacional.
No podcast MobiBoom, Maria João Calha, diretora de Sustentabilidade da transportadora, explica como a empresa está a transformar processos internos, operações de voo e a própria cultura organizacional para reduzir emissões e tornar a aviação mais responsável mas sem perder competitividade.
A mudança começou em 2024, quando a TAP aprovou o seu primeiro framework transversal de sustentabilidade e criou uma Comissão de Sustentabilidade presidida pelo CEO. Foi esse impulso de topo que permitiu acelerar projetos e responsabilizar equipas num setor onde as emissões representam cerca de 3% do total global.
A renovação da frota é um eixo central: 58% dos 99 aviões da companhia já são de nova geração, capazes de reduzir até 20% das emissões de CO₂. Mas o esforço estende‑se a operações menos visíveis, como substituição de equipamentos a bordo por materiais mais leves ou otimização do catering, ações que, no conjunto, permitem poupar combustível e emissões significativas.
A bordo, a transformação também já se sente. Desde 2024 que a companhia introduziu a separação de resíduos nos voos, apesar dos desafios logísticos associados ao espaço e ao tempo. A adesão das tripulações, explica Calha, tem aumentado graças à formação, comunicação e visitas às instalações de catering, onde é possível ver o impacto direto da separação.
A modernização do sistema de entretenimento, que permite aos passageiros usarem os seus próprios auscultadores, já reduziu em 40% o consumo destes equipamentos descartáveis.
O maior obstáculo à descarbonização, porém, não está a bordo: está no combustível. Os combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) continuam caros, até quatro vezes mais do que o combustível convencional, e pouco disponíveis.
Apesar disso, a TAP integra a Aliança para a Sustentabilidade na Aviação e participa na criação do primeiro Roteiro Nacional para a Descarbonização da Aviação. Calha acredita que, com esta coordenação nacional e europeia, a adoção do SAF vai acelerar, embora tecnologias verdadeiramente disruptivas só devam ser massificadas depois de 2035.
Tudo isto acontece num setor onde a sensibilidade ao preço continua elevada.
O passageiro regular privilegia tarifas mais baixas, mas o cliente corporativo e o segmento de carga já exigem critérios ambientais nas suas decisões. Algumas empresas estão mesmo disponíveis para cofinanciar SAF, partilhando o custo com as companhias aéreas.
“A nossa missão é preservar a acessibilidade do transporte aéreo para as próximas gerações”, afirma Calha, sublinhando que a sustentabilidade não é apenas uma exigência regulatória, é um caminho inevitável para a aviação.
Oiça o episódio na íntegra no topo desta página.
A forma como nos movemos define como vivemos. Mobi Boom é um podcast semanal sobre mobilidade, inovação e qualidade de vida nas cidades. Dos carros elétricos aos bairros inteligentes, exploramos as ideias, tecnologias e tendências que estão a transformar a malha urbana e a nossa qualidade de vida. Se acredita em cidades mais verdes, humanas e práticas, este podcast é para si. Novo episódio todos os domingos.
Mobi Boom é um podcast Expresso, com produção Tale House, e a primeira temporada tem o apoio da Kinto.
