No MobiBoom, Rui Rei, presidente da Transtejo, explica como os novos navios elétricos, a redução de supressões e a expansão de ligações vão transformar a travessia do Tejo, especialmente na ligação Barreiro-Lisboa, a mais movimentada da operação. Oiça aqui o podcast de mobilidade do Expresso
A ligação fluvial Barreiro–Lisboa continua a ser um dos principais eixos pendulares da Área Metropolitana, transportando entre 10 e 11 milhões de passageiros por ano. É a operação mais robusta da Transtejo e aquela que melhor espelha a importância do Tejo como corredor estruturante. Nesta entrevista a Luís Costa Branco, o presidente da Transtejo, Rui Rei, sublinha que esta ligação é vital para milhares de trabalhadores que entram diariamente em Lisboa.
A empresa encontra‑se agora a meio de uma transformação profunda com a entrada de dez navios elétricos, cada um com 540 lugares. Trata‑se da maior operação deste género na Europa, numa transição que implica adaptações tecnológicas e humanas.
“A operação elétrica é completamente diferente da operação tradicional: envolve mais software, mais precisão e uma nova forma de trabalhar”, explica o presidente, admitindo que os desafios iniciais estão a ser ultrapassados e que até ao verão a operação deverá estar estabilizada.
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Horacio Villalobos/Getty Imagens
Um dos aspetos mais críticos tem sido a fiabilidade das ligações, marcada nos últimos anos por um número elevado de supressões. Segundo Rui Rei, essa realidade está a mudar: “Reduzimos em 92% as supressões desde novembro de 2025. Não está tudo resolvido, mas vai ficar.”
A recuperação da confiança é, para a administração, condição essencial para aumentar o número de passageiros e aproximar‑se da meta dos 25 milhões de utilizadores anuais em toda a operação.
Para além da renovação da frota, a Transtejo trabalha em novas rotas que reforcem o papel do Tejo como território contínuo entre margens. Está prevista a ligação Seixal–Barreiro–Cais do Sodré, novos trajetos na margem norte e o estudo fechado da ligação Algés–Trafaria. “O navio não é um complemento: é uma ligação. Une territórios que são gémeos e precisam de respostas rápidas e fiáveis”, defende Rui Rei, apontando para uma rede fluvial mais flexível e integrada.
Com a expetativa de operar 25 a 26 navios até junho, a empresa prepara também serviços sazonais e maior articulação com outros operadores. Para Rui Rei, o futuro é inequívoco: “Daqui a dez anos, a Transtejo será 100% elétrica, mais frequente, mais flexível e parte central da mobilidade da região.” A ambição passa por devolver aos barcos o estatuto simbólico e funcional que marcaram durante décadas, recuperando a travessia do Tejo como a voz consistente e moderna de um território em movimento.
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A forma como nos movemos define como vivemos. Mobi Boom é um podcast semanal sobre mobilidade, inovação e qualidade de vida nas cidades. Dos carros elétricos aos bairros inteligentes, exploramos as ideias, tecnologias e tendências que estão a transformar a malha urbana e a nossa qualidade de vida. Se acredita em cidades mais verdes, humanas e práticas, este podcast é para si. Novo episódio todos os domingos.
Mobi Boom é um podcast Expresso, com produção Tale House, e a primeira temporada tem o apoio da Kinto.
