EXPLICADOR
Os quatro astronautas da missão Artemis II estão a caminho da Terra depois de uma histórica viagem à Lua. A cápsula Orion deverá amarar no Oceano Pacífico, perto de San Diego, com equipas especializadas prontas para assegurar a recuperação da tripulação em segurança.
O comandante da Artemis II, Reid Wiseman, o piloto Victor Glover, a especialista de missão Christina Koch e Jeremy Hansen posam para uma fotografia com a Artemis II da NASA (ao fundo), no Kennedy Space Center, em Cape Canaveral, Florida, a 17 de janeiro de 2026.
Joe Raedle / GETTY IMAGES
Depois de terem feito história ao sobrevoar o lado oculto da Lua, os quatro astronautas da missão Artemis II, Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, estão a caminho da Terra a bordo da cápsula Orion do foguetão Space Launch System (SLS).
A chegada está prevista para sexta-feira, 10 de abril, com amaragem assistida por paraquedas no Oceano Pacífico, perto da costa de San Diego, na Califórnia, pelas 17h07, hora local. Em Portugal continental, devido à diferença horária de oito horas, será já na madrugada de sábado, pelas 01h07.
O que acontece quando a tripulação regressa à Terra?
Como explica a Sky News, a viagem de regresso à Terra da cápsula Orion passa por três fases de queimas de correção de trajetória, ou seja, manobras em que os motores da nave são ligados por algum tempo para ajustar ou corrigir o seu percurso no espaço. A última dessas queimas ocorre cerca de cinco horas antes de a cápsula começar a reentrar na atmosfera terrestre, segundo a NASA.
Antes da amaragem no Oceano Pacífico, como é habitual nas missões da NASA, a tripulação segue uma série de passos cuidadosamente planeados para garantir a segurança, desde a separação do módulo de serviço até à abertura dos paraquedas e à estabilização da cápsula na água.
- A tripulação, vestida com os fatos espaciais, vê o módulo de tripulação separar-se do módulo de serviço, que é depois destruído na atmosfera.
- A mais de 122.000 metros acima da Terra, a cápsula começa a sentir a resistência da atmosfera e forma-se um plasma muito quente à sua volta devido à fricção com o ar.
- A separação dos módulos expõe o escudo térmico, que protege a tripulação do calor extremo da reentrada, que pode atingir 1.600 °C.
- Durante a reentrada, as comunicações com a cápsula são temporariamente interrompidas pelo plasma.
- Após atravessar o calor da reentrada, a cobertura frontal é retirada para permitir a abertura dos paraquedas, que começam a abrandar a cápsula.
- Dois paraquedas de estabilização, com 7 metros de largura, abrem-se a 7.620 metros, reduzindo a velocidade para cerca de 494 km/h.
- A 2.900 metros de altitude, três paraquedas piloto puxam os três paraquedas principais, com 35 metros de largura, que reduzem a velocidade de 209 km/h para 27 km/h no momento da aterragem.
A cápsula pode amarar na água na posição vertical, de lado ou de cabeça para baixo. Em seguida, cinco airbags laranja inflarão à sua volta, colocando-a na posição vertical para que a tripulação saia em segurança.
Da saída da tripulação à chegada da cápsula ao Kennedy Space Center
À semelhança de missões anteriores, a amaragem da cápsula Orion será acompanhada por membros da Marinha dos Estados Unidos e da NASA, com equipas de resgate preparadas para atuar por mar e ar. Segundo a FOX Weather, dois helicópteros vão monitorizar a cápsula durante a reentrada na atmosfera.
Após a amaragem, um médico mergulhador deverá avaliar o estado de saúde dos astronautas, que serão auxiliados a sair da cápsula, equipados com coletes salva-vidas e içados para helicópteros, sendo transportados para o navio USS John P. Murtha, onde vão receber cuidados médicos.
As equipas no local vão, de seguida, estabilizar a cápsula, desligar os sistemas, fechar a escotilha e rebocá-la até ao convés do navio. Será colocado um colar estabilizador para manter a cápsula a flutuar na posição correta e uma plataforma inflável permitirá que os astronautas saiam em segurança.
De acordo com o jornal Florida Today, o transporte da cápsula para terra faz-se através do convés flutuante do navio. Em seguida, a cápsula é acondicionada num contentor e transportada de camião até ao Kennedy Space Center.
As condições meteorológicas e o estado do mar desempenham um papel crucial na missão, podendo afetar a operação e obrigar a aguardar a melhoria das condições para garantir a segurança da tripulação e da cápsula.

