Economia

O submundo da fertilidade: inseminação caseira cresce sem controlo em Portugal

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Investigação SIC

Há homens a oferecer sémen nas redes sociais a mulheres que querem engravidar. A Investigação SIC revela casos reais e os riscos para a saúde desta inseminação caseira, realizada sem qualquer vigilância médica.

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Centenas de homens estão a oferecer sémen a mulheres que pretendem engravidar, com contactos estabelecidos através de grupos nas redes sociais. A inseminação caseira está a aumentar, impulsionada pelas longas listas de espera e pelos custos associados à procriação medicamente assistida.

Uma investigação da SIC revela os riscos para a saúde e as implicações legais de uma prática realizada sem vigilância médica.

A prática, que ganha agora maior expressão em Portugal, já é utilizada noutros países. No Brasil, por exemplo, alguns casais recorrem às redes sociais para mostrar como realizam o procedimento.

Nos Estados Unidos e no Reino Unido, são comercializados kits de inseminação para uso doméstico.

A dificuldade em encontrar soluções abriu espaço a um submundo de possibilidades. É o caso do Cryos, banco de esperma com sede na Dinamarca, que disponibiliza um catálogo de dadores com descrições detalhadas e até árvore genealógica. O preço varia entre 100 e quase 700 euros por amostra. Neste caso, são exigidos exames a quem se voluntaria.

Existem ainda aplicações semelhantes às de encontros, uma espécie de “Tinder” para dadores e mulheres que pretendem engravidar, onde é possível aceder, ou não, a exames médicos. O tipo de contacto é escolhido pelas partes: pode passar por relações sexuais ou pelo chamado “método do copinho”.

Pelo mundo, têm-se repetido casos chocantes. Um dos mais mediáticos envolveu um dador dos Países Baixos, proibido por um tribunal, em 2017, de continuar a fazer doações, mas que só foi travado em 2023, aos 43 anos. As autoridades descobriram que tinha mais de mil filhos em vários países. A história foi contada num documentário.

Mais recentemente, outro caso evidenciou alguns riscos. O dador de esperma 7069, dinamarquês, transportava sem saber uma mutação genética rara que pode causar cancro. Tornou-se pai de quase 200 crianças em toda a Europa. Um banco de esperma vendeu amostras durante mais de quinze anos e só em 2023 as autoridades de saúde descobriram a situação e bloquearam a utilização dessas colheitas.

Problemas que podem agravar-se na ausência de maior controlo ou monitorização, como acontece na inseminação caseira.

Em Portugal, para já, não há quaisquer consequências, uma vez que não foram apresentadas queixas.

  • Investigação SIC: conte-nos o que merece ser denunciado através do email investigacao@sic.pt.

Ficha Técnica:

  • Jornalista: Joana Rita de Almeida
  • Imagem: Vítor Caldas, Caetano Jorge e João Venda
  • Edição: Tiago Martins
  • Grafismo: Pedro Morais
  • Produção: Ana Marisa Silva e Mariana Óca
  • Coordenação: Luís Garriapa
  • Direção: Bernardo Ferrão e Marta Brito dos Reis



SIC Noticias

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