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"Obsessão ideológica": ex-ministra ataca Governo por marginalizar sindicatos


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Entrevista SIC Notícias

Ana Mendes Godinho acusa o Executivo de não cumprir o seu papel de mediador na Concertação Social, questionando ainda a necessidade de retroceder nas conquistas laborais.

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O presidente da Confederação do Turismo em Portugal, Francisco Calheiros, disse, esta quarta-feira, que, sem a UGT e a CGTP, as quatro entidades empregadoras pediram para haver um adiamento da reunião da Concertação Social. Em entrevista à SIC Notícias, Ana Mendes Godinho, ex-ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, critica duramente o adiamento da reunião e a postura do Executivo nas negociações.

Ana Mendes Godinho, ex-ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, não vê com bons olhos estes “desencontros”, que, garante, “dão alguma má indicação sobre as negociações”.

O facto de não ter sido possível marcar um encontro “significa que as negociações têm alguma incapacidade de mobilização e de o Governo assumir o seu papel.”

Enquanto antiga líder da tutela, Ana Mendes Godinho explica que a Concertação Social pressupõe “a participação de todos nas negociações”, ainda que admita que, por vezes, “depois não assinem”.

“E não é fácil conduzir um processo de negociação, mas o papel do Governo é mesmo ser aqui o mediador e o conciliador e não assumir o papel de uma das partes que parece que aqui está a acontecer”, considera.

“Não percebo, de todo, que não tenham convocado a CGTP”

A ministra do Trabalho durante o XXII Governo Constitucional não tem dúvidas de que “é inaceitável manter uma reunião sem os representantes dos trabalhadores”.

“A Constituição Social não se pode fazer apenas com uma das partes representada, até porque senão perde todo o seu efeito do ponto de vista de capacidade de representar os diferentes interesses presentes”, complementa.

Ana Mendes Godinho não entende a razão que levou o Executivo a não remarcar de imediato a reunião “quando sabia que, nomeadamente, a UGT não podia estar” presente.

“Também não percebo, de todo, que não tenham convocado a CGTP, aliás, acho inaceitável”, critica.

A ex-ministra vai mais além nas críticas e aponta que “o facto de se ter mantido uma reunião com a ausência dos representantes dos trabalhadores é um mau sinal”.

“Obsessão ideológica”

Na visão de Ana Mendes Godinho esta atitude “parece, de alguma forma, quase uma obsessão ideológica de manter uma agenda pré-desenhada sem ouvir os trabalhadores”.

“Quase parece um processo unilateral, um monólogo unilateral em que está só representada uma das partes. E, portanto, acho que é um mau augúrio sobre a capacidade de encontrar aqui respostas”, vinca.

A socialista questiona ainda a necessidade da nova legislação laboral:

“E a pergunta que se coloca é, no contexto que nós vivemos, porquê um retrocesso civilizacional de desequilíbrio das normas e das conquistas laborais de centenas e milhares de trabalhadores ao longo de muitos anos, com que objetivo e porquê?”



SIC Noticias

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