Depois de meses de tensão na fronteira, o Paquistão atingiu instalações militares na capital do Afeganistão e em Kandahar. No entanto, horas antes, o Afeganistão tinha atacado as forças paquistanesas posicionadas na fronteira.
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Os vidros partidos são a consequência de um dos ataques aéreos do Paquistão na madrugada de sexta-feira, em Cabul. Um morador na capital do Afeganistão conta que, perto das duas da manhã, acordou com o som do avião.
Os ataques paquistaneses envolveram o envio de mísseis aéreos e terrestres contra edifícios e postos militares dos talibãs, em Kandahar e noutras cidades, bem como confrontos terrestres em várias zonas da fronteira entre os dois países.
“Nestas operações aéreas e terrestres, o Paquistão matou pelo menos 274 membros das forças afegãs e feriu mais de 400. Além disso, 73 postos dos talibã afegãos foram destruídos ao longo da fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão”, disse Ahmed Chaudhry, porta-voz do exército do Paquistão.
O Paquistão assume que também houve 12 soldados mortos e 27 feridos e, acusa o Afeganistão de, na quinta-feira à noite, ter levado a cabo uma série de ataques na fronteira. O Afeganistão contesta dizendo que foi uma resposta aos outros ataques que o Paquistão fez na fronteira, uns dias antes.
Há meses que os ataques se multiplicam, são confrontos atrás de confrontos na linha terrestre que separa os dois países e apesar do frágil cessar-fogo assinado em outubro do ano passado.
O Paquistão acusa o governo dos talibãs de apoiar um grupo que diz ser de “terroristas” que agem contra o Paquistão. O Afeganistão desmente.
Para o ministro da Defesa paquistanês o país esgotou a “paciência” e o que existe agora é uma “guerra aberta”.
“Estou extremamente preocupado com a situação”, Richard Bennett, Relator Especial da ONU no Afeganistão.
Os talibãs dizem que querem uma solução pacífica ao contrário do Paquistão.
A troca de acusações entre os dois países é frequente, enquanto o Paquistão tem um armamento nuclear, no Afeganistão existem talibãs com grande experiência em luta de guerrilha. Porém, a relação entre ambos nem sempre foi de inimizade.
No início deste século, quando o Afeganistão foi invadido pelos Estados Unidos com o objetivo de encontrar Osama Bin Laden, o Paquistão deu apoio aos talibãs que assumiriam o poder, em 2021, com a saída do país das forças norte-americanas.
