O chocolate pode ser o protagonista da Páscoa, mas este ano traz uma surpresa menos doce: preços mais altos. E não é o único: há outros custos a subir. Neste episódio, explicamos o que está a ficar mais caro e como pode reduzir o impacto na carteira
A Páscoa chega este domingo com mesas cheias, mas carteiras mais leves. Entre ovos de chocolate mais caros, amêndoas a subir de preço e viagens pressionadas pelos custos da energia, celebrar continua a ser tradição em Portugal, mas cada vez mais com contas feitas ao cêntimo.
Os números confirmam esta perceção. Em 2025, o preço do chocolate aumentou, em média, 17,9% na União Europeia, o maior aumento entre todos os produtos alimentares, segundo dados do Eurostat citados pela Euronews. No mesmo período, a inflação geral ficou pelos 2,5% e a dos alimentos nos 3,3%.
Portugal não foi o país mais afectado, uma vez que a Polónia ou os Estados Bálticos, por exemplo, registaram aumentos superiores a 30% no preço do chocolate, mas a subida foi considerável. Portugal ficou próximo da média europeia (18%), com aumentos de 17%.
O aumento do custo de vida em Portugal já está a ser sentido pelas famílias. Segundo um estudo da ConsumerChoice, realizado em 2026, com base num questionário online a 121 participantes em Portugal, 57% dos consumidores considera que os produtos típicos da Páscoa estão mais caros, sendo essa perceção particularmente forte nos ovos de chocolate, apontados por 74% dos inquiridos.
O que justifica o aumento do preço do cacau?
A explicação começa na origem da cadeia de produção. O cacau – principal matéria-prima do chocolate – sofreu uma escalada histórica de preços nos últimos anos. Segundo o Banco Mundial, citado pela Euronews, o preço passou de cerca de 3,28 dólares (2,8 euros) por quilo em 2023 para 7,33 dólares (6,36 euros) em 2024 e 7,80 dólares em 2025, um aumento superior a 120% num só ano. Por trás desta subida estão sobretudo quebras de produção na África Ocidental, em particular na Costa do Marfim e no Gana, responsáveis por grande parte do abastecimento mundial. A seca prolongada e vírus que afetam os cacaueiros reduziram drasticamente a oferta, criando um défice global e pressionando os preços
Apesar de o preço do cacau ter entretanto recuado face aos máximos históricos, esse alívio ainda não chegou ao consumidor. De acordo com a agência Reuters, os chocolates vendidos esta Páscoa foram produzidos quando a matéria-prima estava no pico, já que a indústria compra cacau com meses de antecedência. Isso ajuda a explicar porque é que, mesmo com a descida recente dos preços internacionais, os ovos de chocolate continuam caros nas prateleiras.
A pressão não se fica pelo chocolate. As amêndoas, outro símbolo da Páscoa, acompanham a tendência de subida dos preços alimentares, uma realidade também identificada pelos consumidores: 65% considera que este produto está mais caro, segundo o estudo da ConsumerChoice.
A este cenário junta-se um fator adicional: a instabilidade geopolítica. A atual guerra no Médio Oriente está a ter impacto direto no preço dos combustíveis, com consequências nas viagens, tradicionais para muitas famílias na época de Páscoa. Segundo o ECO, o preço do combustível para aviação disparou desde o início do conflito, levando a aumentos médios de 4% nos voos a partir de Portugal, podendo ultrapassar os 10% nas ligações de longa distância e, em alguns casos, chegar aos 20%.
Esse encarecimento também já está a influenciar decisões. O estudo da ConsumerChoice mostra que 32% dos consumidores admite reduzir o consumo fora de casa nesta Páscoa e que 83% planeia celebrar em ambiente doméstico, numa lógica de maior contenção.
No global, o impacto é claro: 80% dos consumidores prevê ajustar os gastos nesta Páscoa e quase metade não tenciona aumentar o orçamento face ao ano anterior, procurando antes promoções como forma de compensar a subida de preços.
“Os dados revelam um consumidor português cada vez mais consciente, informado e estratégico nas suas escolhas. Embora a Páscoa continue a ser um momento de tradição e celebração, o comportamento do consumidor revela uma mudança clara: celebrar mantém-se, mas gastar deixou de ser automático”, pode ler-se no estudo.
Perante este cenário, há formas de mitigar o impacto:
- Comparar preços entre supermercados antes de comprar, sobretudo produtos sazonais como ovos de chocolate e amêndoas;
- Aproveitar promoções e considerar marcas próprias para reduzir a fatura final;
- Antecipar compras, evitando aumentos de última hora;
- No caso das viagens, reservar com antecedência e ser flexível nas datas;
- Considerar destinos alternativos, que possam ter melhor relação entre preço e estabilidade
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