Economia

Paulo Sérgio: "Depois de sair do Sporting, tive salários em atraso em quase todos os clubes"

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Ontem Já Era Tarde

Formado no Sporting, Paulo Sérgio conheceu o futebol em várias latitudes. Numa carreira feita entre Portugal, Espanha, Chipre, Brunei e Indonésia, desde cedo percebeu que nem tudo no futebol é um conto de fadas: “Depois de sair do Sporting, tive salários em atraso em quase todos os clubes”, recorda. “Antigamente não havia estabilidade e era permitido aos clubes. Graças ao Sindicato dos Jogadores consegui sempre receber à exceção da última passagem pelo Olhanense.”

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“Na Indonésia joguei no clube da polícia, mas éramos sempre prejudicados pelos árbitros. Ninguém gostava da polícia”

Depois de uma passagem pelo Brunei, Paulo Sérgio seguiu para a Indonésia, onde representou o Bhayangkara e conquistou o título nacional, num percurso que recorda com boas memórias, mas também com dificuldades dentro de campo.

O antigo jogador revela que a equipa enfrentava obstáculos particulares, explicando que “o clube existia há três anos e pertencia à polícia”, o que, na sua perspetiva, influenciava o tratamento em jogo. “Éramos sempre prejudicados pelos árbitros. Ninguém gostava da polícia”, sublinha.

A passagem pelo futebol indonésio coincidiu com a chegada de nomes sonantes ao campeonato, fruto de uma regra que permitia a contratação de jogadores com passagem pelas principais ligas europeias. Paulo Sérgio destaca o impacto desses duelos: “Joguei contra o Essien, que tinha jogado no Chelsea. Era enorme.”

Longe de se intimidar, garante que respondeu dentro de campo. “Joguei contra ele, contra o Sissoko e o Carlton Cole, e rebentei com eles todos.”

“O treinador que mais me marcou foi Jorge Costa. Era uma pessoa fantástica”

Paulo Sérgio recorda com emoção a relação com Jorge Costa, antigo internacional jogador e treinador, que morreu aos 53 anos, em agosto do ano passado, quando desempenhava funções diretivas no FC Porto. Na hora de recordar os vários técnicos que teve ao longo da carreira, Paulo Sérgio responde sem hesitações: “Foi o treinador que mais me marcou.”

A ligação entre ambos construiu-se em dois momentos distintos, primeiro na Académica e mais tarde no Olhanense, experiências que ficaram na memória pela forma como o técnico liderava o grupo. “Não digo isto porque já não está entre nós”, sublinha, reforçando a admiração que já vinha dos tempos em que Jorge Costa era jogador.

Conhecido pela intensidade dentro de campo, o antigo central contrastava fora dele. “Era aquela coisa da raça, do ‘Bicho’ [alcunha de Jorge Costa], mas como treinador era o oposto disso. Era um doce”, recorda Paulo Sérgio, num tom entre a nostalgia e a brincadeira. ““Dizia-lhe que os árbitros faziam o que queriam de nós e que, quando ele era jogador, isso não acontecia.”

No final, fica a memória de um líder que marcava pela proximidade. “A forma como unia o grupo, como dava os treinos, era incrível. O ‘sacana’ era uma joia de pessoa.”



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