Economia

Pedro Sánchez e Luís Montenegro tiveram posturas diferentes na resposta às tempestades? A SIC Verifica

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A chuva intensa que chegou nos primeiros dias de fevereiro não fez estragos só em Portugal. De terras lusas para espanholas, é feita a comparação entre líderes nas redes sociais. Será que atuaram de forma diferente? A SIC Verifica.

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Uma publicação no X (antigo Twitter) elogia o líder do Governo de Espanha, Pedro Sánchez, que se apresenta “sem uma frota de Mercedes e BMW de luxo, sem fato Hugo Boss, sem sapatos bem engraxados” em visita às “zonas afetadas pelas tempestades”.

O post estabelece uma comparação com Luís Montenegro, um “novo rico” que não se terá portado à altura. Há também quem recorde o temporal de Valência, em 2024, em que o comportamento de Sánchez foi bem menos elogiado.

Analisemos: o primeiro-ministro português atuou de forma diferente face ao homólogo espanhol? Sim, mas há diferenças a ter em conta.

Em Espanha corrigiram-se erros do passado

No dia 6 de fevereiro, Pedro Sánchez sobrevoou de helicóptero as zonas da Andaluzia mais afetadas pelas chuvas e inundações. Avisava então que os dias seguintes seriam ainda difíceis e apelava à prudência, tranquilidade e paciência das populações. Nessa semana visitou algumas das regiões mais afetadas na Andaluzia.

Como explica Belén Rodrigo, correspondente da SIC em Madrid, Sánchez quis agora estar perto das populações, tendo-se vestido de uma forma muito mais informal do que é habitual. Mas esta é uma imagem que contrasta com aquela que deixou em 2024, quando as cheias devastaram Valência.

Portugal: uma resposta que tarda a encontrar a rota

Em Portugal, a atuação do primeiro-ministro parece tardar até encontrar a rota certa. A tempestade Kristin devastou vários concelhos na noite de 27 para 28 de janeiro, nomeadamente na região de Leiria. No dia 28 de janeiro, o primeiro-ministro excluiu a declaração imediata de situação de calamidade em Leiria, ao contrário daquilo que vinha a ser pedido pela autarquia. Teceu as primeiras palavras à saída do briefing da Proteção Civil em Carnaxide (Oeiras). Nesse dia, anunciou a mobilização de dois secretários de Estado a Leiria.

A 29 de janeiro, o primeiro-ministro foi para o terreno, vestido de forma mais formal comparando com o homólogo espanhol, mas foi preciso mais uns dias até que se falasse ao país.

A 5 de fevereiro voltou a falar aos portugueses. Começou por apelar à população para seguir rigorosamente as recomendações das autoridades, sublinhando que os riscos “não devem, em circunstância alguma, ser desvalorizados” e anunciou o conjunto de apoios que iriam ser aplicados no imediato a todos os que foram afetados pela passagem das depressões Kristin e Leonardo.

A politóloga Paula Espírito Santo explica como a atuação de Luís Montenegro, desta vez, ficou marcada por “fases”.

“Podemos dizer que houve aqui fases. Numa primeira fase há uma espécie de negação quanto à abrangência desta calamidade que acaba por assolar várias regiões, particularmente Leiria. E, aliás, logo numa primeira fase, o primeiro-ministro diz que não vê necessidade de decretar o estado de calamidade. Percebe-se que, na altura, ou não estava bem informado, ou não quis ter uma noção tão completa quanto deveria daquilo que estava a suceder“, explicou Paula Espírito Santo.

No entendimento da politóloga, o Governo não terá tido a melhor leitura do que estava a acontecer, não só em termos de gestão, mas também de comunicação, algo que emendou numa segunda fase de atuação.

Montenegro vs. Sánchez

Quando comparamos os dois casos, há que ter em conta as diferenças entre os países. Em Espanha, a proteção civil é uma competência partilhada onde as Comunidades Autónomas detêm a gestão operacional na maioria das emergências. No caso das tempestades Leonardo e Marta, quem esteve muito presente foi o presidente de Andaluzia, Juanma Moreno, tendo Sánchez tido um papel secundário.

Como explica Paula Espírito Santo à SIC, “o Governo espanhol faz uma melhoria importante quando comparamos com a reação que teve nas cheias de 2024“, mas são “modelos diferentes”. O Governo espanhol mais “descentralizado” e o Governo português com maior centralização.

“Parece-me que há aqui uma dificuldade ainda em gerir não só os planos mais superficiais da comunicação em tempos de crise, mas sobretudo efetividade em termos de resposta no terreno e de capacidade de atenuar os danos, particularmente porque o Governo não pode estar fora destes focos de emergência, mesmo que o palco principal seja dado às autoridades do ponto de vista municipal e às autoridades que têm que intervir nestes momentos”, afirma.

Para a politóloga, ainda que os dois modelos sejam diferentes, o Governo português “esteve aquém daquilo que era a capacidade esperada por parte das populações e por parte também dos municípios e das entidades públicas” no terreno.

Presença do primeiro-ministro em momentos de crise é adequada?

A SIC abordou ainda a questão da presença de elementos do Governo em tempos de crise. Será benéfica ou prejudicial? Paula Espírito Santo explica que “há recomendações para que as altas figuras do Estado não estejam em cenários críticos num momento em que podem desencadear um agravamento das circunstâncias precisamente pela sua presença”, mas “há depois também um tempo em que essa presença é importante”.

“É fundamental não só para desencadear uma reação mais rápida, mas até para poder sossegar de alguma forma as populações sabendo que o Governo está em cima do acontecimento”, explica.

A SIC Verifica que é…

Apesar de ser verdadeiro que ambos se comportaram de forma diferente, também é certo que Sánchez já teve momentos de maior tensão com duras críticas à sua atuação em 2024. O primeiro-ministro espanhol parece ter aprendido com o erro, já Luís Montengro aparenta dificuldade em encontrar o equilíbrio certo em momentos de crise. Ainda assim, os modelos de governação são diferentes e Montenegro rapidamente corrigiu a rota assim que percebeu a dimensão do problema.

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