Portugal

"Pensar que o Irão iria comportar-se como a Venezuela é infantilidade"

O almirante Henrique Gouveia e Melo comentou, esta quinta-feira, a atualidade do conflito no Médio Oriente, considerando que “pensar que o Irão se iria comportar como a Venezuela perante a deposição do líder é de alguma infantilidade na análise”. Para o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, pode estar, “eventualmente, por detrás disto”, “um realinhamento da ordem internacional“.

“Julgo que esta operação tem logo um erro de início: não foi calculado qual foi o objetivo político, onde é que ela devia parar e o que é que se devia alcançar. Ou se esse objetivo político era, sequer, exequível”, salientou, em declarações à CNN Portugal.

Assim, prosseguiu, “pensar que o Irão se iria comportar como a Venezuela perante a deposição do líder é de alguma infantilidade na análise”, sendo que “nós estamos, neste momento, todos envolvidos num problema muito grande, que vai afetar toda a economia mundial mas afeta, curiosamente, mais a Europa e a China“.

“Eventualmente”, apontou ainda o almirante, “por detrás disto, está aqui um realinhamento da ordem internacional, também”. “Porque os Estados Unidos e a Federação Russa têm petróleo e têm capacidade para resistir melhor aos problemas que esta crise vai criar em termos energéticos”, vincou.

Na opinião de Gouveia e Melo, “não há nenhuma legitimidade nesta ofensiva”, não tendo ficado claro “porque é que se fez uma guerra preventiva”.

Quanto à questão da Base das Lajes – que recebeu aviões reabastecedores dos Estados Unidos -, o almirante avançou que, “na cena internacional, nós não falamos só de ética e de moral, falamos também de interesses dos países”. “Temos de ter cuidado na gestão dos nossos interesses Atlânticos, porque dependemos muito para a nossa defesa quer da Europa, quer dos Estados Unidos – e devemos gerir com pinças qual é a função, neste momento, do Arquipélago dos Açores”. 

Deste modo, “não aconselho nada, por exemplo, neste momento, estabelecerem-se conversações para renegociar qualquer coisa relativamente aos Açores”.

E o bloqueio do Estreito de Ormuz?

Na mesma entrevista, Henrique Gouveia e Melo asseverou que “uma operação militar” poderia ter a “capacidade” de desbloquear o Estreito de Ormuz. No entanto, “é uma possibilidade difícil de concretizar”

“Requer muitos meios e, com poucos meios, consegue-se criar um efeito psicológico que pode, depois, resultar verdadeiramente num bloqueio. Não é num bloqueio físico, mas o efeito psicológico que, depois, resulta num bloqueio“, explicou, acrescentando que “o estreito tem cerca de sete quilómetros navegáveis”, sendo “muito fácil atacar, até com drones”, e “muito difícil conseguir defender o estreito”

Já questionado sobre os 2.500 fuzileiros que estarão a caminho do Médio Oriente, o também ex-candidato presidencial advogou, “para já, não fazer nada”. “Quando muito, vão preparar uma testa de ponta ou fazer operações especiais – o número é insignificante. Comparativamente, se estamos a falar do Irão, que tem uma população muito elevada, com uma Guarda Revolucionária muito elevada, não são certamente 2.500 marines que vão resolver o problema“, sublinhou. 

É “muito difícil conseguir uma passagem segura num momento de conflito, em que o Irão está verdadeiramente empenhado em impedir essa passagem“, afirmou Gouveia e Melo.

De lembrar que os Estados Unidos e Israel têm em curso desde 28 de fevereiro uma ofensiva militar de grande escala contra o Irão.

Teerão respondeu com o encerramento do Estreito de Ormuz e o lançamento de ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região.

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