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Pepsi e Diageo retiram patrocínio após Kanye West ser confirmado cabeça de cartaz do Wireless Festival em Londres


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A Pepsi e a Diageo, ‘gigantes’ de bebidas, deixaram de ser as principais patrocinadoras do Wireless Festival. A decisão de abandonar o festival de verão em Inglaterra, realizado anualmente no Hyde Park, deu-se no seguimento da confirmação de Kanye West, rapper criticado pelas posições antissemitas.

Kanye West no festival de música e artes, Coachella, a 20 de abril de 2019, em Indio, Califórnia

Kanye West no festival de música e artes, Coachella, a 20 de abril de 2019, em Indio, Califórnia

Amy Harris / AP

O primeiro-ministro britânico já tinha sido vocal quanto ao desagrado relativamente à confirmação do artista. Keir Starmer afirmou que era “profundamente preocupante” que Kanye West (agora conhecido como “Ye”) fosse cabeça de cartaz do Wireless Festival.

Em comentários divulgados pelo The Sun on Sunday, o primeiro-ministro britânico afirmou que “Ye” tinha sido contratado “apesar dos seus anteriores comentários antissemitas e da sua celebração do nazismo”.

“O antissemitismo, sob qualquer forma, é abominável e deve ser combatido com firmeza onde quer que apareça”, defendeu Keir Starmer, citado pela BBC.

“Todos têm a responsabilidade de garantir que a Grã-Bretanha seja um lugar onde os judeus se sintam seguros”, disse ainda o primeiro-ministro.

O festival britânico, que se estende ao longo de três dias, era promovido, principalmente, pela Pepsi.

A Pepsi decidiu retirar o seu patrocínio ao Wireless Festival”, afirmou um porta-voz da marca nascida nos Estados Unidos, segundo a SkyNews.

A Diageo, proprietária das marcas de uísque e rum, Johnnie Walker e Captain Morgan, acompanhou a Pepsi e, no domingo à noite, anunciou que iria igualmente retirar o patrocínio ao festival.

Informamos os organizadores das nossas preocupações e, neste momento, a Diageo não patrocinará o Wireless Festival de 2026″, informou um porta-voz da Diageo, citado pela SkyNews.

“Ye” não pisa o Reino Unido desde 2015, ano em que foi cabeça de cartaz do Glastonbury, festival de artes cénicas e música ao ar livre, realizado anualmente em Pilton, Somerset, em Inglaterra.

O antissemitismo de “Ye”

A decisão de retirar o patrocínio ao festival britânico prende-se às posições antissemitas e preconceituosas do rapper norte-americano. No ano passado, “Ye” foi, inclusive, impedido de entrar na Austrália depois de lançar “Heil Hitler”, canção que elogiava e glorificava o líder nazi.

Para além disto, contam-se outros episódios como vários comentários antissemitas na rede social X, a venda de t-shirts com uma suástica no site da sua marca de roupa. “Ye” chegou até a declarar-se nazi.

Em janeiro, o artista publicou um pedido de desculpas no Wall Street Journal, com o título “Àqueles que magoei”.

“Não sou nazi nem antissemita.”Amo o povo judeu”, disse “Ye”.

O rapper atribuiu grande parte dos comportamentos ao transtorno bipolar 1, explicando que a doença só foi diagnosticada em 2023, após anos de sintomas não tratados. “Quando se está maníaco, não se pensa que se está doente”, explicou, acrescentando que tinha “perdido o contacto com a realidade”.

“Lamento e sinto-me profundamente envergonhado pelas minhas ações nesse estado”, lia-se ainda na carta aberta no The Wall Street Journal.



SIC Noticias

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