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População de Girabolhos vê barragem como oportunidade de desenvolvimento

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A barragem de Girabolhos é encarada pela população da aldeia do concelho de Seia como uma oportunidade de desenvolvimento. O projeto, suspenso há 10 anos, foi agora reativado pelo Governo como solução para o controlo de cheias.

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A barragem de Girabolhos, na freguesia do concelho de Seia, nunca chegou a ser construída, mas o pavimento da avenida principal da aldeia ainda apresenta marcas deixadas pelos camiões que circulavam na altura do início das obras, há 10 anos.

“Deram cabo da estrada e depois o ponto importante é que, quando houve o fim da construção da barragem houve indemnizações de dinheiro com a promessa verbal de que iam reconstruir essa estrada. Passaram 10 anos e a estrada está como está”, recordou Armando Abrantes, presidente da junta de freguesia de Girabolhos.

Nem avenida arranjada, nem barragem construída.

Para Lurdes Silva, habitante da localidade, o projeto é visto como positivo:

“Eu acho que é uma coisa boa para a nossa terra. Já há tanto ano que dizem que é para fazer e nunca o fizeram. Será que vão fazer agora? Não sei. Então eles fizeram a estrada, fizeram tudo e foram para trás.”

A habitante refere-se à estrada que foi construída apenas para acesso ao local onde a barragem estava projetada, junto ao rio Mondego.

O piso em bom estado conduz a um miradouro de onde se avista o rio Mondego, numa zona de fronteira entre os distritos da Guarda e Viseu.

É para essa zona que estava prevista a construção da barragem, um projeto cancelado em 2016 por falta de rentabilidade e agora reativado pelo Governo como solução para o controlo de cheias do Mondego.

“Já devia estar feita há mais tempo. Desde quando era criança já se falava na construção da barragem e até hoje ainda não foi”, refere António Pedro Coelho, também habitante da localidade.

O investimento na barragem é encarado pela população como uma oportunidade de desenvolvimento.

Girabolhos, aldeia na Serra da Estrela, conta com 317 habitantes, segundo os últimos censos, e sofre dos mesmos desafios de outras localidades do interior do país: pouca população, envelhecida e com escassez de serviços.

“Não temos um café, nem uma mercearia. Já tínhamos, mas fechou. A padaria também fechou há cerca de um ano. Se vier a barragem, pode trazer mais desenvolvimento e mais atividade”, referiu Serafim Neves, outro habitante da localidade.

Nas principais ruas da aldeia, destacam-se edifícios antigos recuperados para turismo, investimentos feitos por ex-emigrantes que regressaram à terra.

Sandra, vinda de Lisboa, está atualmente em Girabolhos em alojamento local, acompanhando o namorado emigrado nos Estados Unidos que pretende regressar definitivamente.

“Neste momento estou como turista. É uma terra muito tranquila, simpática, as pessoas são acolhedoras. Fala-se muito da barragem de Girabolhos, talvez isso venha a evoluir um bocadinho mais, com praias fluviais, quem sabe”, refere.

Serafim Neves acrescenta ainda que “para além disso, a barragem pode ser um complemento à Serra da Estrela. Muitas pessoas que visitam a serra podem fazer um pequeno desvio e passar por Girabolhos para ver a barragem.”

Girabolhos procura afirmar-se, orgulhando-se da sua igreja paroquial do século XIX e das capelas históricas, mantendo a expetativa de poder vir a ter mais desenvolvimento no futuro.



SIC Noticias

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