A cortiça portuguesa foi escolhida pela NASA como o material usado para proteger estruturas críticas em vários componentes sujeitos a temperaturas extremamente elevadas na nave da Artemis II. Em 2022, aquela que é uma das principais matérias-primas nacionais já tinha ido ao espaço a bordo da Artemis I.
O foguetão da missão Artemis II da NASA descola do Plataforma de Lançamento 39-B do Centro Espacial Kennedy, em Cape Canaveral, Flórida, na quarta-feira, 1 de abril de 2026.
Chris O’Meara / AP
Vinda dos sobreiros, presente em rolhas, sapatos e até bijuteria, a cortiça portuguesa foi mais longe. Nesta que é a primeira missão tripulada à Lua em mais de 50 anos, a matéria-prima foi transformada num material conhecido na indústria aeroespacial como P50.
O material contribui com várias propriedades essenciais para uma missão deste calibre, desde o isolamento térmico em condições de calor extremo, absorção de energia sob esforço mecânico, flexibilidade para adaptação a geometrias complexas até à compatibilidade com sistemas compósitos avançados.
Desta forma, a cortiça é uma das responsáveis pela proteção da nave, servindo como uma espécie de ‘escudo’ térmico.
“O papel da cortiça é, no fundo, simples, mas crítico: proteger ao sacrificar-se. À medida que as temperaturas aumentam, o material sofre uma transformação controlada, formando uma camada carbonizada que reforça a resistência térmica e protege as estruturas subjacentes”, afirma Eduardo Soares, diretor de inovação da Amorim Cork Solutions.
O CEO da Corticeira Amorim, António Rios de Amorim, congratula-se pela escolha da NASA e destaca que a preferência mostra a “fiabilidade” da cortiça portuguesa.
“No setor aeroespacial, a continuidade não é assumida — é conquistada através do desempenho”, afirma António Rios de Amorim, num nota no Linkedin.
Segundo a mesma nota, o desempenho de materiais como o P50 é possível através de um processo de engenharia altamente especializado, suportado por uma equipa técnica qualificada e por sistemas rigorosos de controlo de qualidade.
“A presença contínua da cortiça neste contexto reflete uma evolução mais profunda. O futuro da engenharia de alta performance dependerá cada vez mais de materiais inspirados na natureza. E se a cortiça consegue responder num ambiente tão complexo e tecnologicamente exigente como o espaço, demonstra o seu potencial para responder a desafios em praticamente qualquer indústria”, remata o CEO.
