“Gostei tanto que fui ficando, ficando… Acabei por ficar 18 anos”, descreveu à Lusa a emigrante, de 48 anos, que trabalha numa agência das Nações Unidas em Budapeste.
O trabalho levou-a, por uns anos, até ao Peru, mas em 2024 regressou à Hungria.
Lina Chilra foi casada com um húngaro, o que lhe permitiu atingir “um nível intermédio” da língua, que diz ser “muito, muito difícil”.
Sobre a adaptação, descreve um povo mais reservado que os portugueses. “No início, mandavam-me calar nos transportes públicos, porque eu falava muito alto”, descreveu, entre risos.
Mais de 25 anos depois de ter chegado, disse observar grandes alterações: “Hoje é super internacional, cosmopolita, antes muito pouca gente falava inglês”.
A portuguesa destacou também que os húngaros dão uma grande importância à vida social e cultural. Budapeste, a capital, “é uma cidade onde se tem acesso a qualquer tipo de cultura”, além de ser “muito segura”, comentou.
Uma curiosidade dos húngaros é o facto de terem um grande interesse pela língua e cultura portuguesas.
“Hungria para mim é a casa, é o sítio onde eu passei a maior parte da minha vida adulta”, resumiu.
Rui Silvestre também se apaixonou pelo país depois de uma experiência de voluntariado em 2009.
“Gostei bastante da vida aqui e disse para mim mesmo que um dia, se calhar, se tiver possibilidade, regresso, e regressei passados cinco anos”, contou à Lusa.
O emigrante, 45 anos, destacou sobretudo as oportunidades e boas condições profissionais que o país oferece e a qualidade de vida na capital.
“A nível de segurança, nunca tive qualquer problema, e a nível de transportes está a léguas de Lisboa”, relatou, completando: “Neste momento não penso voltar [para Portugal] nos próximos anos”.
De Portugal, disse sentir falta da comida. “Às vezes encontram-se vinhos portugueses nos supermercados, mas por exemplo, bacalhau não chega cá”.
Foram também motivos pessoais que levaram João Henriques para a Hungria, em 2011.
“Encontrei um país de pessoas reservadas, pouco habituadas a conviver com os estrangeiros, mas ao mesmo tempo uma cultura muito rica, uma história muito rica e uma geografia que, para nós portugueses, é uma geografia diferente, no coração da Europa”, disse à Lusa o diretor do Centro de Língua Portuguesa do instituto Camões.
A adaptação foi fácil, recordou o português, de 48 anos, “talvez por esta capacidade quase natural dos portugueses para se adaptarem a qualquer lado, ou também pelo facto de ser um país europeu, com algumas cicatrizes do tempo passado no bloco soviético, mas em todo o caso de um país cristão, de hábitos e costumes próprios”.
Tiago Hipólito, 37 anos, chegou à Hungria para um estágio de um ano e entretanto passaram mais 12 anos.
“Budapeste é uma cidade desenvolvida e tem-me oferecido a realização profissional que eu procurava”, afirmou o português, que trabalha como auditor interno num banco norte-americano.
Em termos culturais, Hungria e Portugal “são diametralmente opostos”, considerou.
“Aqui encontramos uma mentalidade mais fechada, as pessoas não são tão afáveis nem abertas a desenvolver relações de amizade. Portanto, é muito difícil fazer amizades com húngaros”, comentou, notando também “uma grande rigidez”, por exemplo nos horários.
Ricardo Costa Ramalho, 56 anos, foi para a Hungria por causa da mulher, húngara. Como realizador, viaja pelo país todo e para países vizinhos com frequência e sente que a adaptação foi fácil.
Se Hungria e Portugal são semelhantes em termos de dimensão geográfica e população, o português destacou uma diferença, a educação: “Toda a gente, quando chega a algum sítio, diz bom dia, boa tarde, coisa que não acontece em Portugal”.
