[
O cenário de catástrofe estende-se a pelo menos mais 22 municípios, que já fizeram as suas contas preliminares. O jornal Expresso reuniu estas estimativas e revelou que os prejuízos podem rondar os mil milhões de euros em todo o país.
Loading…
Os prejuízos causados pelas tempestades em Torres Vedras deverão ultrapassar os 30 milhões de euros. Esta estimativa tem preocupado a autarquia, que pede mais apoios ao Governo para enfrentar os danos. Pelo menos 22 municípios já fizeram as primeiras contas e a situação é igualmente grave em várias outras localidades.
Há mais de duas semanas que os trabalhos de limpeza não param. O rio Sizandro invadiu a Adega Cooperativa de Dois Portos e causou milhares de euros em prejuízos.
“Todo o vinho que já estava embalado em boxes e em caixas vai ter de ser substituído, porque está contaminado. (…) Nos equipamentos, temos de esperar que sequem para depois ver se funcionam”, explicou Luís Fernandes, administrador da adega.
Por toda a freguesia, muitas estradas permanecem inacessíveis e os caminhos estão danificados. Ainda não foi possível fazer um balanço total dos danos, pois todos os dias surgem novas ocorrências.
“Ainda não conseguimos ir a todos os caminhos vicinais. Diariamente, há um agricultor que diz ‘o meu caminho também está destruído’, nem a pé, às vezes, conseguimos lá passar”, afirmou Telma Mota, presidente da Junta de Freguesia de Dois Portos, que alerta que um ano não será suficiente para recuperar tudo o que foi destruído.
Em Torres Vedras, a soma dos prejuízos já ultrapassa os 30 milhões de euros.
“O orçamento municipal é cerca de 115 milhões, mas obviamente está completamente afeto a determinados custos correntes que os municípios têm. É impensável que uma câmara municipal consiga suportar um investimento desta natureza, quando aparece de forma tão inesperada”, afirmou Sérgio Galvão, presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras.
O cenário de catástrofe estende-se a pelo menos mais 22 municípios, que já fizeram as suas contas preliminares. O jornal Expresso reuniu estas estimativas e revelou que os prejuízos podem rondar os mil milhões de euros em todo o país.
Com orçamentos municipais limitados, as autarquias não têm capacidade para suportar os custos totais da recuperação.
A restauração dos territórios afetados poderá demorar anos. Por isso, as autarquias pedem mais apoio financeiro ao Governo, bem como uma redução da burocracia para agilizar a resolução dos estragos, que deixaram cerca de mil pessoas desalojadas e várias localidades isoladas.
