Na cerimónia de apresentação das Forças Armadas, em Santarém, o Presidente da República admitiu que Portugal precisa de modernizar e reforçar as capacidades militares. O assunto será discutido no Conselho de Estado marcado para 17 de abril.

Loading…
O Presidente da República alertou este sábado para um “contexto internacional particularmente exigente” devido à “reemergência de conflitos armados de alta intensidade” e defendeu a necessidade de reforçar e modernizar as Forças Armadas portuguesas, mantendo o investimento nas áreas sociais.
Na cerimónia de apresentação das Forças Armadas ao novo Presidente da República, que decorreu em Santarém, António José Seguro sublinhou que o mundo atravessa “um período de mutações profundas”, alertando a “fragmentação política”, a tentativa de “esvaziamento das organizações multilaterais” e os impactos diretos dos conflitos na Europa e no Médio Oriente.
A guerra na Ucrânia, disse, alterou “de forma abrupta” a perceção da segurança coletiva, exigindo aos Estados “medidas compatíveis com a missão de defesa e salvaguarda da soberania nacional”.
Perante este quadro, o Presidente defendeu que Portugal deve acompanhar os compromissos internacionais assumidos no âmbito da União Europeia e da NATO com “investimento, modernização e reforço de capacidades”.
“Vivemos num quadro dinâmico e de risco acrescido que exige das Forças Armadas um nível de prontidão e modernização sem precedentes”, declarou, justificando o Conselho de Estado de 17 de abril, dedicado exclusivamente ao tema da segurança e da defesa.
O Presidente afirmou que a modernização militar deve “envolver a indústria nacional”, gerar emprego qualificado e estimular inovação tecnológica, defendendo “um verdadeiro sistema de aplicação dual ao serviço de Portugal” que permita ao país “afirmar-se em áreas tecnológicas estratégicas”. Esta modernização, vincou, deve ser “séria e equilibrada”, articulada com outras necessidades nacionais, “em particular nas áreas sociais”.
Segundo o Comandante Supremo das Forças Armadas, o investimento na Defesa deve ser “inteligente”, envolver a indústria nacional e “ajudar a criar mais riqueza e melhores empregos”, potenciando “também o sistema científico português”.
António José Seguro dedicou parte significativa do discurso aos recursos humanos das Forças Armadas, considerando “imperativo” tornar a carreira militar mais atrativa, valorizar carreiras e garantir “previsibilidade e dignidade” aos profissionais.
“Não há Forças Armadas sem recursos humanos”, afirmou, salientando o papel dos militares como pilar da democracia, subordinados à Constituição e à vontade dos cidadãos.
O Presidente da República insistiu na necessidade de tornar a “carreira militar mais apelativa para os jovens”, defendendo medidas que garantam a permanência dos quadros e o reforço da motivação interna.
Antes de abordar as questões de segurança, António José Seguro evocou a escolha de Santarém como palco da cerimónia, sublinhando o simbolismo da cidade e homenageando Salgueiro Maia, cuja liderança no 25 de Abril qualificou como “exemplo de integridade e sentido de dever”.
O chefe de Estado enalteceu ainda o papel das tropas portuguesas em missões no estrangeiro no âmbito da NATO, União Europeia, ONU e CPLP, qualificando-as como “vetor fundamental da política externa portuguesa”.
Com LUSA
