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Presidente deposto da Coreia do Sul pede desculpa por ter imposto lei marcial


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Yoon Suk-yeol foi condenado a prisão perpétua. A equipa jurídica do Presidente deposto rejeitou o veredicto e prometeu “lutar até ao fim” para que a verdade venha “ao de cima”.

Yoon Suk-yeol

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YONHAP

O Presidente deposto da Coreia do Sul Yoon Suk-yeol pediu, esta sexta-feira, desculpas pela “frustração e dificuldades” causadas pela declaração da lei marcial em 2024, reiterando que agiu no interesse nacional.

“Peço sinceras desculpas ao povo pela frustração e pelas dificuldades que, em última análise, resultaram das minhas falhas, apesar do meu desejo de salvar a nação”, escreveu Yoon, num comunicado divulgado pelos advogados.

Na quinta-feira, a justiça da Coreia do Sul condenou Yoon à pena de prisão perpétua, após declarar o presidente deposto do país culpado de liderar uma insurreição e impor ilegalmente a lei marcial.

O ex-Presidente, de 65 anos, descreveu o veredicto do tribunal – mais brando do que o pedido de pena de morte da acusação – como “difícil de aceitar”, sem anunciar de imediato se iria ou não recorrer.

Na Coreia do Sul, os condenados a prisão perpétua têm geralmente direito a liberdade condicional após cumprirem 20 anos.

Mas vários outros antigos chefes de Estado, condenados a longas penas de prisão por diversos crimes, foram perdoados pelos seus sucessores passados alguns anos.

Na quinta-feira, os advogados de Yoon mantiveram a inocência do antigo procurador e prometeram “lutar até ao fim”.

“Isto foi uma formalidade num julgamento cujo resultado já estava predeterminado. A verdade, sem dúvida, virá ao de cima na história jurídica deste país. Nunca sucumbiremos a distorções da realidade e a mentiras, e lutaremos até ao fim”, declarou a equipa jurídica de Yoon Suk-yeol, num comunicado.

Os advogados expressaram a rejeição do veredicto e argumentaram que “não se pode tapar o sol com a palma da mão”, expressão que alude à alegada verdade que, afirmaram, eventualmente “virá ao de cima”.

“Estamos devastados com esta decisão, e nenhuma palavra será suficiente”, acrescentaram.

“Tínhamos esperança no sistema judicial, que nunca devia falhar numa era marcada por mentiras e agitação. No entanto, também ele sucumbiu ao poder político, que procura purgar a dissidência e inflamar a opinião pública”, sustentaram.

O partido de Yoon, o Partido do Poder Popular (PPP, na oposição) emitiu um pedido de desculpas pelo sucedido, depois de conhecida a sentença do presidente deposto.

O porta-voz do PPP no parlamento, Song Eon-seok, disse sentir “uma grande responsabilidade por esta sentença” e pediu desculpa a toda a população e aos membros do partido.

“Espero que isto sirva para reafirmar o Estado de Direito e mostrar que todos são iguais perante a lei e que ninguém está acima dela”, declarou.

“Vamos refletir profundamente sobre tudo isto a nível político e histórico e traçar uma linha contra qualquer facção que ameace a ordem constitucional”, assegurou.

O caso levou milhares de pessoas a concentrar-se em frente aos tribunais para demonstrar tanto apoio como rejeição de Yoon, que continua a causar divisões entre a população sul-coreana.



SIC Noticias

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