Notícia SIC
António Dias Seabra é suspeito de manipular insolvências em conluio com o advogado Paulo Topa.
A medida de coação foi aplicada depois de na semana passada, como noticiou a SIC, terem sido emitidos mandados de detenção na sequência da Investigação SIC de dezembro aos negócios do advogado Paulo Topa, que está em prisão preventiva.
No âmbito da operação “Cinderela”, que decorreu “nas áreas do Grande Porto, Aveiro e Coimbra”, foram detidas dez pessoas, incluindo três administradores judiciais, um advogado e seis empresários e comerciantes.
Todos os detidos, entre os quais o administrador judicial António Dias Seabra, estão “indiciados pela prática dos crimes de associação criminosa, corrupção, burla qualificada, insolvência dolosa, falsificação de documentos e branqueamento de capitais, que terão sido praticados, pelo menos, entre 2023 e 2025”.
A investigação, adiantou a Polícia Judiciária (PJ) em comunicado, “incide sobre a atuação organizada e concertada dos detidos, intervenientes em processos de insolvência e/ou de recuperação de empresas, no âmbito das suas funções profissionais, num esquema criminoso que permitiu beneficiar os insolventes e viabilizar a apropriação de património em prejuízo dos reais credores”.
O esquema passava por, através de pessoas singulares e/ou coletivas, apresentar “créditos fictícios e documentação forjada” para garantir “o imediato reconhecimento de credores sem a devida comprovação da dívida”.
“Estes créditos fictícios, além de permitirem a apropriação imediata de bens móveis ou imóveis, asseguravam a aprovação dos planos de recuperação, para que os devedores pudessem tirar proveito dos seus efeitos, suspendendo a ação dos reais credores e dissipando o património existente”, revelou a PJ.
Os mandados de detenção foram emitidos na sequência da Investigação SIC de dezembro do ano passado aos negócios do advogado Paulo Topa.
Advogado é suspeito de desviar milhões de euros
O advogado Paulo Topa é suspeito de desviar 10 milhões de euros num esquema revelado pela Investigação SIC.
O mandado de detenção foi emitido na sequência da reportagem da SIC e por haver risco de fuga para o Brasil. Paulo Topa foi detido no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, quando aterrou vindo de Casablanca (Marrocos).
O advogado do Porto e três administradores de insolvência são suspeitos de desviarem milhões de euros de empresários em falência.
Ao longo de uma década, terão criado 50 empresas de fachada, elaborando créditos falsos e aliciado pessoas vulneráveis, incluindo um sem-abrigo, para servirem como testas-de-ferro.
Paulo Topa é o advogado suspeito de liderar a rede. Foi detido duas vezes em 2025, mas saiu sempre em liberdade.
Mas à terceira foi de vez. No final do ano passado foi detido quando estaria, novamente, a angariar clientes.
