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O prazo para a entrega de propostas para a privatização da TAP termina hoje, tendo manifestado interesse três grupos de aviação, a Lufthansa, a IAG, dona da Iberia e British Airways, e a Air France-KLM.
A Lufthansa garantiu que não vai desistir da TAP e confirmou que entregará uma proposta não vinculativa, defendendo que é o parceiro com maior capacidade para desenvolver a companhia aérea portuguesa, segundo o responsável de estratégia do grupo, Tamur Goudarzi Pour.
Sem avançar com mais pormenores, como valores, o gestor justificou a reserva com a fase do processo: “Estamos prestes a apresentar a proposta e não é o momento certo para dar detalhes”.
Apesar de admitir que uma entrada inicial possa ser minoritária, a Lufthansa afasta qualquer cenário de saída do processo, defendendo que a integração pode avançar desde logo: “Muitas das coisas já podem ser feitas com uma participação minoritária, embora outras tenham de esperar”, posição que vai ao encontro do modelo definido pelo Governo português para a privatização, que prevê a venda de até 44,9% do capital, com 5% reservado aos trabalhadores.
Este posicionamento surge numa altura em que persistem dúvidas sobre o interesse de outros potenciais compradores.
Após notícias avançadas pela Bloomberg darem conta de que a IAG poderia não avançar com uma proposta, fonte oficial da dona da Iberia e da British Airways indicou apenas que, de acordo com o processo, tem esta quinta-feira para tomar uma decisão.
De acordo com fontes citadas pela Bloomberg, a IAG considera que a opção de Portugal vender apenas uma participação minoritária da companhia aérea não se enquadra na estratégia do grupo.
Por sua vez, em meados de fevereiro, a Air France-KLM disse que estava a trabalhar numa oferta não vinculativa para a privatização da TAP, cuja rede é “muito complementar“, e disse que a companhia portuguesa pode vir a ter um lugar central na organização do grupo.
“Fomos selecionados para fazer parte do processo [de privatização da TAP], como um dos três grupos de companhias aéreas na Europa [que passaram à segunda fase]. Portanto, é claro que estamos a trabalhar numa oferta não vinculativa”, afirmou o administrador financeiro do grupo franco-neerlandês, Steven Zaat, durante a apresentação dos resultados de 2025.
O Governo anunciou em 19 de dezembro ter concluído a fase de pré-qualificação da privatização da TAP e mandatou a Parpública para enviar, a partir de 02 de janeiro, os convites para a apresentação de propostas não vinculativas, cujo prazo termina esta quinta-feira.
O caderno de encargos prevê a alienação de até 44,9% do capital da TAP, com 5% reservado aos trabalhadores, ficando qualquer participação não subscrita sujeita ao direito de preferência do futuro comprador.
O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, disse que todas as entidades que manifestaram interesse – Air France-KLM, IAG e Lufthansa – cumpriram os requisitos e passaram à segunda fase.
As propostas não vinculativas a apresentar terão uma componente financeira, incluindo o preço oferecido pelas ações, bem como mecanismos adicionais de valorização, como ‘earn outs’, que preveem pagamentos futuros dependentes do desempenho da empresa.
Os interessados deverão ainda indicar a perspetiva de valorização futura da participação remanescente e eventuais formas alternativas de pagamento, como trocas de ações.
Além disso, deverão igualmente apresentar propostas técnicas não vinculativas, com um plano industrial e estratégico para a TAP, uma visão preliminar sobre sinergias e benefícios para a companhia e garantias de preservação do estatuto de operador aéreo da União Europeia.
