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Problemas mecânicos e contratos precários preocupam motoristas de tuk-tuks no Porto


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Os condutores denunciam falhas mecânicas graves nos veículos e queixam-se também de pressão laboral e de precariedade no setor.

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Conduzem diariamente estes veículos pelas ruas da cidade Invicta. Com medo de represálias, preferem não mostrar o rosto, mas dão voz às queixas dos trabalhadores do setor.

“As queixas que surgem com mais frequência são as falhas mecânicas, a falta de manutenção mecânica, as infrações ao código da estrada que as empresas nos obrigam a cometer sob ameaça e coação. Se reclamamos de alguma coisa, literalmente, somos ameaçados logo ou não renovam o contrato ou somos despedidos. Arranjam processos disciplinares por qualquer motivo e despedem-nos”, relatou um dos condutores.

A este clima de pressão laboral, a que dizem estar sujeitos, somam-se ainda condições de trabalho precárias.

“As empresas cada vez nos exploram mais. Por norma, trabalhamos ou em contrato de outsourcing ou a recibos verdes, ou até somente à comissão, sem ordenado fixo. No fundo, trabalhamos na clandestinidade”, referiu, pedindo ainda “melhores condições de trabalho” e “salários dignos”.

Conversas de WhatsApp a que a SIC teve acesso mostram que são frequentemente reportados problemas mecânicos.

Falhas nos travões, veículos a cheirar a queimado e capas de cobertura danificadas, que comprometem a visibilidade dos condutores, são algumas das anomalias, que segundo estes trabalhadores, resultam de negligência por parte dos operadores turísticos.

Uma associação de empresários do setor garante que há um controlo diário dos veículos. No entanto, admite que há casos de pressão laboral e que as condições de trabalho nem sempre são as ideais.

“É uma preocupação que já tínhamos e reunimos com a Câmara do Porto no mês passado. A maior parte de nós cumpre a lei e este setor não pode ter a reputação comprometida por causa de dois ou três que não cumprem”, atirou Alex Ramos, presidente da Associação de Empresas e Empresários de Animação Turística.

O descontentamento dos trabalhadores motivou uma queixa na Polícia Municipal do Porto, que diz ter encaminhado o processo para as entidades competentes, nomeadamente, a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).



SIC Noticias

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