“A participação de forças políticas que difundam discursos impregnados de xenofobia, racismo, discriminação e exclusão contraria esses princípios e não pode ser encarada com normalidade”, escreve a Fenprof em comunicado.
À semelhança de outros partidos, o Chega esteve representado na maior feira nacional sobre educação, que decorreu em Lisboa na semana passada, mas na banca daquela juventude partidária foram colocados cartazes onde se lia “Isto não é mesmo o Bangladesh (mas parece)” ou “Sorria, estamos a ser substituídos”, numa referência à “teoria da Grande Substituição”.
O conteúdo das mensagens foi hoje criticado pela Fenprof, que considera tratar-se de “discurso de ódio”, e de promoção de “ideias que atentam contra a dignidade da pessoa humana e contra os valores fundamentais da democracia”.
Os representantes dos professores recordam que aquela feira de educação, dirigida sobretudo a jovens, deve ser um espaço de promoção do pluralismo e do respeito pelos direitos fundamentais.
“A Futurália deve afirmar-se como um espaço de encontro, de partilha de conhecimento, de abertura ao mundo e de promoção de valores humanistas, democráticos e solidários”, escreve a Fenprof.
Acrescentando que esses valores constituem os alicerces da vida democrática, a federação condena o partido por utilizar a Futurália como “plataforma de propaganda político-partidária que expõe jovens estudantes a mensagens de caráter populista, autoritário e profundamente incompatíveis com os valores” da Constituição da República Portuguesa.
À semelhança da Fenprof, várias organizações condenaram a participação do Chega naquele evento, incluindo investigadores, instituições de ensino superior e associações anti-racistas.
O presidente do partido, André Ventura, lamentou os “ataques e falta de sentido democrático”, dizendo que houve uma “tentativa de censura”.
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