O projeto CERTRA, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), está a desenvolver iniciativas para valorizar os cereais tradicionais em Portugal, envolvendo mais de 25 entidades ao longo da cadeia de valor.
No âmbito da Linha de Ação 1.1 – Consumo, o projeto reuniu produtores, transformadores e instituições de investigação, resultando no desenvolvimento de mais de 12 novos produtos alimentares, incluindo pão, cerveja, broas, biscoitos e cuscos. Foi também criada a marca CERTRA, com o objetivo de reforçar a visibilidade destes produtos no mercado.
 
Na vertente científica, a Linha de Ação 1.2 – Produtos permitiu aprofundar o conhecimento sobre cereais tradicionais portugueses. Foram analisadas mais de 64 populações de trigo, centeio e milho, com base em estudos genéticos, agronómicos e tecnológicos. Estes dados foram comparados com mais de 60 farinhas comerciais, permitindo validar a autenticidade e o posicionamento diferenciador dos produtos tradicionais.
O projeto inclui ainda uma componente dedicada à valorização alimentar e cultural, enquadrada na Linha de Ação 1.3 – Dieta Mediterrânica. Neste âmbito, foram promovidas experiências gastronómicas com farinhas integrais tradicionais e está em desenvolvimento um livro de receitas, bem como a compilação de práticas e técnicas associadas a estes cereais.
Na área da comunicação e sensibilização (Linha de Ação 1.4), foram realizadas ações de formação, visitas técnicas e campanhas dirigidas a produtores, técnicos, estudantes e consumidores. O projeto integra também iniciativas de cooperação internacional, com foco na partilha de conhecimento e reforço de redes científicas.
De acordo com os objetivos definidos, o CERTRA pretende criar valor ao longo da cadeia, incentivando a utilização de cereais locais, promovendo a agricultura biológica e reforçando a ligação entre produção, transformação e consumo. A iniciativa visa ainda aumentar o conhecimento sobre as características dos cereais tradicionais, melhorar a sua adequação a produtos transformados e criar novas oportunidades de mercado.
 
O projeto aposta também na criação de redes de partilha de conhecimento entre os diferentes agentes do setor e na promoção da sustentabilidade, segurança alimentar e valorização da diversidade cultural associada à produção de cereais tradicionais.
 
