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“Quando cheguei ao SIS havia um computador ligado à Internet em todo o serviço. Era uma pobreza franciscana em vários aspetos”



SIS: 40 Anos de Segredos

O Caso Madeira expôs fragilidades internas, precipitou quedas na liderança do SIS e abriu um debate decisivo sobre fiscalização, transparência e limites democráticos. Neste terceiro episódio, Celso Paiva Sol acompanha uma década de conflitos, escassez de meios e reformas que ajudaram a moldar o serviço de informações da democracia portuguesa. Oiça aqui o podcast que conta a história do Serviço de Informações

Ramiro Ladeiro Monteiro não resistiu às palavras do Procurador da República para a Região Autónoma da Madeira, quando este se queixou de injustificadas invasões de privacidade por parte do SIS. E nesse dia, mesmo que muito lentamente, também o rumo do Serviço começou a mudar, primeiro com a entrada do magistrado Daniel Sanches, e depois com o penalista Rui Pereira.

Neste episódio, os dois antigos diretores do SIS recordam uma década de dores de crescimento, de notória falta de interesse e investimento por parte dos sucessivos governos, os obstáculos criados pelo restante sistema de segurança, e, apesar de tudo, as ideias que conseguiram concretizar.

Daniel Sanches diz ter encontrado “um Serviço paroquial, construído com muitas ligações familiares”, e com “um tremendo problema de imagem, porque a culpa de tudo o que de mal acontecia no país era do SIS”.

Três anos depois, escolhido pelo primeiro governo socialista a ter a responsabilidade de gerir o SIRP, Rui Pereira teve que enfrentar a mesma “pobreza franciscana, com um único computador ligado à Internet”, e as mesmas fraturas na sociedade, que decidiu combater “abrindo o Serviço ao exterior, começando a explicar o que era e para que servia”. Foi nesse mandato de Rui Carlos Pereira que o SIS teve um primeiro símbolo, um lema e um site institucional.

Mas neste 3º episódio, fazemos igualmente uma primeira abordagem à fiscalização do sistema, tanto a política que está a cargo do Parlamento, como a técnica que é desempenhada pela Procuradoria Geral da República.

No primeiro caso, Paulo Mota Pinto descreve o trabalho do Conselho de Fiscalização da Assembleia da República como a difícil “conciliação entre o secretismo natural da missão do SIS, com a necessidade de controlar a sua atividade”.

Já na vertente técnica, o Procurador adjunto José Santos Pais lembra um percurso feito de “pedagogia e aprendizagem mutua”, durante o qual os Serviços e os seus fiscalizadores procuraram “o ponto em que todos estivessem confortáveis”.

Oiça o 3º episódio de SIS: 40 Anos de Segredos no topo desta página.

“SIS: 40 anos de segredos” conta a história do Serviço de Informações de Segurança. Assinala a abertura de portas em fevereiro de 1986, mas começa a ser contada a partir de abril de1974 – momento em que a extinção da DGS abriu caminho à criação do primeiro serviço de informações civil e democrático.

Pela voz de quem o desenhou, instalou e dirigiu, é explicada de forma inédita como funcionam e foram evoluindo as vertentes da formação e da fiscalização.

Uma investigação jornalística de Celso Paiva Sol, contada em seis episódios, com tratamento sonoro dos estúdios Billyboom Sound design e capa de Tiago Pereira Santos.





SIC Noticias

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