A roncopatia é muitas vezes considerada um simples incómodo noturno, mas pode ser sinal de problemas de saúde mais graves, como a apneia obstrutiva do sono. Filipe Magalhães Ramos, otorrinolaringologista, alerta para os riscos associados, que vão desde fadiga e irritabilidade até hipertensão, diabetes e aumento do risco cardiovascular. Reconhecer e tratar o problema é fundamental para proteger a saúde e a qualidade de vida.

AndreyPopov
Vulgarmente referida como ressonar, a roncopatia pode ter causas de índole diferente: aumento das amígdalas, desvio do septo nasal, palato alongado, hipotonia muscular, que, normalmente, progride com o passar do tempo, obesidade, álcool, tabaco, entre outros.
O ressonar pode representar a ponta do iceberg de uma condição mais preocupante: a apneia obstrutiva do sono. Ambos partilham um mecanismo subjacente e muitos dos fatores de risco, e a distinção não está na altura do ruído produzido, mas na existência de paragens na respiração.
Esta condição perturba, em diferentes graus, a qualidade do sono, o que traz consequências na qualidade de vida das pessoas afetadas.
Pode acarretar, de acordo com a seriedade da situação, alterações do humor, ansiedade, aumento da tensão arterial, acidentes vasculares cerebrais, enfartes, diabetes e mesmo morte súbita. Não são de desprezar as consequências na vida pessoal e social.
Por um lado, o incómodo que sente quem partilha o quarto com alguém que ressona leva a que se opte por dormir em quartos separados, com as previsíveis consequências na vida dos casais.
IpekMorel
De resto, há abundantes relatos da incapacidade de criar barreiras à propagação do ruído, que atravessa mesmo portas fechadas.
Há também maior risco de ter acidentes de viação, ou de trabalho, por exemplo, devidos à sonolência dos condutores e operadores de máquinas.
Contudo, a maioria das pessoas não reconhece o ressonar como o sinal de um problema de saúde, assumindo que fadiga, sonolência, dores de cabeça ou irritabilidade se devem aos normais constrangimentos da vida moderna.
O interesse pelo estudo e a investigação desta condição é relativamente recente e acompanha o conhecimento sobre o impacto de uma boa higiene do sono na saúde e na longevidade. Na verdade, o sono de qualidade é, hoje, um dos três pilares da saúde, a par da nutrição e do exercício físico.
O estudo da obesidade, que tem aumentado significativamente nos últimos tempos, trouxe, também, alguns aportes. Há estudos que referem ainda condições ambientais como poluição atmosférica e recorrência de vagas de calor como fatores que provocam inflamação e congestão do nariz e da garganta, fragmentando o sono e interrompendo os desejáveis ciclos.
Felizmente, este problema tem solução. É aconselhável valorizar estas perturbações, tanto pelas consequências sociais como pelos riscos que comporta. Deverá consultar o seu médico, que muito provavelmente lhe aconselhará a visita a um especialista, para que seja feito o diagnóstico e proposta a intervenção adequada.
Artigo da autoria de Filipe Magalhães Ramos, otorrinolaringologista
