Um restaurante tipo “buffet” localizado no Cacém foi encerrado, no dia 5 de março, na sequência de uma operação levada a cabo pelo Comando Metropolitano da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Lisboa.
As autoridades detetaram no espaço “graves irregularidades” ao nível da segurança alimentar, como noticiou ontem o Notícias ao Minuto, na sequência de um comunicado enviado pela PSP às redações.
Na mesma nota, a PSP partilhou várias imagens do que encontrou no restaurante que, como é possível ver nas redes sociais, tinha muitos clientes devido à diversidade de comida, que ia desde gastronomia chinesa, japonesa e até brasileira. As fotografias são chocantes.
Só em comida imprópria para consumo, a PSP apreendeu quase duas toneladas de alimentos.
“Durante a operação foram detetadas graves irregularidades ao nível da segurança alimentar e das condições de higieno-sanitárias, tendo sido identificadas elevadas quantidades de géneros alimentícios armazenados em deficientes condições de acondicionamento, nomeadamente produtos perecíveis conservados em recipientes impróprios, alimentos em contacto direto com o pavimento e ausência de separação entre produtos crus e confecionados”, detalhou a PSP na nota enviada na terça-feira, 10 de março.
Foram ainda encontrados “produtos alimentares mantidos a temperaturas inadequadas, com equipamentos de refrigeração sobrelotados e sem controlo de temperatura, bem como alimentos congelados, sem rastreabilidade e sujeitos a processos de descongelação sem cumprimento das regras sanitárias aplicáveis” e, “em diversas zonas de preparação e confeção, foram ainda verificadas deficiências graves nas condições de higiene, designadamente superfícies de trabalho degradadas, utensílios sem adequada higienização, inexistência de planos de limpeza e presença de resíduos alimentares acumulados em áreas de manipulação”.
Mas havia mais problemas no restaurante por desvendar. No piso superior, as autoridades perceberam que existiam “diversos alojamentos improvisados em pisos superiores do edifício, utilizados como apoio à atividade comercial, onde se encontravam instalados 35 cidadãos estrangeiros, trabalhadores do referido estabelecimento”.
Segundo a PSP, “as instalações destinadas a alojamento não reuniam condições mínimas de habitabilidade, higiene e salubridade, verificando-se situações de sobrelotação, compartimentos improvisados, ausência de ventilação adequada, deficientes condições sanitárias e inexistência de qualquer tipo de licenciamento para utilização habitacional”.
Entre os cidadãos identificados, estavam dois cidadãos que foram “notificados para abandono voluntário do território nacional”, por se encontrarem em situação irregular.
Tento em conta a gravidade das irregularidades, a atividade comercial do estabelecimento foi suspensa de imediato e foram “levantados processos criminais e diversos autos de contraordenação por infrações no domínio laboral, cuja tramitação seguirá os procedimentos legais aplicáveis”.
A ação da PSP contou com a participação da Autoridade de Saúde Pública, Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), Autoridade Veterinária Municipal, Fiscalização Municipal, Ação Social Municipal, Polícia Municipal e Polícia Judiciária (PJ).
