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Em causa está a acumulação de madeira pela queda de milhares de árvores em várias florestas do país. Os especialistas alertam para a urgência dos trabalhos de limpeza e recuperação.
PAULO CUNHA
Para além dos estragos já conhecidos, o ‘comboio’ de tempestades que assolou Portugal aumentou o risco de incêndios florestais. Devido aos ventos fortes, foram derrubadas milhares de árvores. De acordo com ojornal Público, nas zonas mais atingidas, deverão ter-se acumulado mais de 35 toneladas de madeira. Isto traduz-se num aumento de 50% do combustível para incêndios nas florestas.
Em várias florestas do país, sobretudo na região Centro, os ventos fortes das intempéries causaram o derrube de milhares de árvores, que resultaram na acumulação de madeira. Os solos ficaram ainda sensibilizados pelas cheias. Como tal, com o calor e tempo seco do Verão, o risco deincêndios florestaisagrava-se.
Segundo o jornal Público, nas zonas mais atingidas pela tempestade, deverão ter-se acumulado mais de 35 toneladas de madeira. Nessas áreas, o aumento de combustível fino pode chegar aos 50%.
Os especialistas alertam para a urgência de iniciar trabalhos de limpeza e recuperação das áreas de floresta para controlar o risco de incêndio.
Ao Público, Paulo Fernandes, investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e especialista em fogos florestais e alterações climáticas, explicou que o vento forte “vai trazer material ao solo”, o que, por sua vez, aumenta “o combustível para fogos futuros”.
É de exemplo as folhas e ramos acumulados nos terrenos, que vão “secar rapidamente” e tornam-se combustível para o deflagrar e para as propagações rápidas do fogo.
António Correia, investigador do Centro de Estudos Florestais do Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa, reitera a combinação de fatores que cria “dois anos muito preocupantes na questão dos incêndios”.
“Todo este material mais fino que ainda está na floresta vai secar e ser combustível no Verão.” A combinação entre solos encharcados, subida das temperaturas e explosão de vegetação espontânea cria”, afirma o especialista ao Público.
Urgência em recuperar as florestas
Os especialistas destacam a necessidade da ação imediata para limpar e recuperar as áreas florestais afetadas para que se possamevitar os incêndios.
“O essencial é começar já as limpezas”, afirma o especialista em fogos, Paulo Fernandes.
No que toca aos troncos e ramos de maior proporção, estes, por serem material mais grosso, representam um risco prolongado, dado que levarão mais tempo até arderem.
Porém, se estes materiais não forem removidos a tempo, “o risco vai persistir durante cinco, dez anos, ou mais”, explica Paulo Fernandes, dando o exemplo de Pedrógão Grande, que “está cheio de madeira no chão a apodrecer”, cenário que cria condições para incêndios no futuro.
