Mundo

Rui Borges com duas facas nas costas


Desporto

A opinião de João Rosado. O técnico do Sporting está entregue a si próprio numa conspiração ao mais alto nível.

Rui Borges com duas facas nas costas

RODRIGO ANTUNES

Se fosse Lucho González a pontapear aquela bola que custou a expulsão de José Mourinho bem perto do final do superclássico disputado no domingo, de certeza que o resultado teria saído mais enquadrado do que as palavras que o adjunto de Francesco Farioli alegadamente proferiu na cara do treinador da casa.

No fundo, os papéis, de forma drástica para quem tinha escrito o guião de um filme diferente, inverteram-se. Mourinho arriscou-se em exibir os seus dotes técnicos e Lucho, fazendo fé nas acusações descritas, atreveu-se a entrar no campeonato da disputa verbal perante o especialista dos especialistas em diálogos apimentados.

Nenhum deles se saiu a preceito e bem vistas as coisas qualquer um deles estaria condenado ao fracasso. Sobretudo porque o desfecho do Benfica-FC Porto encaixa que nem uma luva nos propósitos que indiciam a subtil criação de uma gerigonça geodesportiva idealizada por André Villas-Boas e Rui Costa.

André Villas-Boas

FC Porto

Admitindo-se que no famoso túnel da Luz Lucho gritou para aí umas 50 vezes (noutra versão, ter-se-á limitado a 20 ou 30…) que Mourinho era um “traidor”, é de crer que o internacional argentino não terá sido posto ao corrente de estratégia que ao mais alto nível parece satisfazer os planos dos dois presidentes que escolheram Frederico Varandas como alvo número 1.

RICARDO CASTELO

Para quem lidera o campeonato, será de todo conveniente que o Benfica alimente pelo menos as expectativas de ficar em segundo lugar e, movido por essa ambição, não se “esqueça” de ir ganhar a Alvalade daqui a cinco jornadas. O dérbi dos dérbis pode ser o desbloqueador de todos os enigmas no que se refere à luta pela posição mais alta do pódio e nesse sentido, salvaguardando alguma surpresa de maior nos desfechos até lá, o contributo das águias para o êxito de Farioli pode revelar-se fundamental.

Os elogios públicos do italiano a José Mourinho na véspera do clássico (enaltecido enquanto colega de profissão e enquanto pessoa), motivando, inclusive, uma resposta e um agradecimento em forma de mensagem privada, ilustram a cordialidade e o pacto pouco secreto entre as altas esferas, membros do “staff” à parte, escusado será dizer.

Uma vez que os benfiquistas estão a sete pontos do comandante e o atual bicampeão mantém-se a quatro, um eventual triunfo de Otamendi e companhia na casa verde e branca lançaria os foguetes na Invicta e confirmaria, já agora, a escassa apetência de Rui Borges para ganhar a opositores pertencentes ao top-5.

Para a contrariar, o homem que levou os leões ao bicampeonato tem, na prática, essa possibilidade de ouro frente ao vizinho e uma derradeira hipótese quando fechar a Liga diante do surpreendente Gil Vicente.

Com a exceção da equipa treinada por César Peixoto, o próprio Mourinho, até ao momento, também não tem muitas razões para reivindicar louros nos confrontos com os outros gigantes. Não perdeu e ainda não ganhou, restando-lhe duas balas de prata, Braga incluído na penúltima jornada. Mas seria a primeira delas, no dérbi eterno, que lhe daria um gosto incomparavelmente especial, quiçá garantindo uma qualificação para a Liga dos Campeões.

Esse apuramento é uma missão que “Mou” não se pode dar ao… Lucho de falhar. Mesmo que um dia uma figura de referência de Mirandela o acuse de cumplicidade numa dupla traição.



SIC Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *