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Santarém: Dois meses depois, 500 famílias continuam com apoio social

“A prioridade tem sido garantir apoio imediato e contínuo às famílias e instituições afetadas. As nossas equipas atuam em estreita articulação com municípios, IPSS — Instituições Particulares de Solidariedade Social, Misericórdias, forças de proteção civil e voluntariado, assegurando que ninguém fica desamparado”, disse hoje à Lusa a diretora do Centro Distrital de Santarém, Paula Carloto de Castro.

A intervenção do Instituto da Segurança Social foi acionada logo após os fenómenos, permitindo uma atuação coordenada com os sub-comandos regionais do Médio Tejo e da Lezíria do Tejo, no distrito de Santarém.

Desde então, as equipas “mantêm acompanhamento diário, prestando apoio financeiro, habitacional e psicossocial às populações afetadas”, afirmou.

Entre os apoios destacam-se reparações de habitações, assistência em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) e fornecimento de bens essenciais, incidindo sobretudo nos concelhos mais atingidos: Ourém, Ferreira do Zêzere, Tomar, Santarém e Golegã.

A Segurança Social “mostrou-se preparada para enfrentar fenómenos desta dimensão, mobilizando rapidamente equipas com experiência em incêndios rurais e na pandemia” de covid-19, afirmou.

“Essa vivência permitiu organizar recursos de forma eficiente e adaptar-se a um contexto complexo, beneficiando de conhecimento profundo do território e metodologias já testadas”, explicou Paula Carloto.

Segundo a responsável, “a articulação com IPSS, Misericórdias, municípios e voluntariado foi determinante para que os recursos chegassem de forma rápida e ajustada às necessidades locais”.

Ao nível económico, foram tratados quase integralmente cerca de 2.600 pedidos de empresas, incluindo isenções ou reduções nas contribuições à Segurança Social e ‘layoff’.

Para famílias, permanecem em análise cerca de 500 candidaturas de apoio direto.

“O sucesso desta avaliação deveu-se à criação de uma linha telefónica dedicada e à análise sistemática de processos por 14 técnicos especializados”, explicou.

Apesar da prontidão, registaram-se “dificuldades iniciais”, nomeadamente “falhas de comunicação e situações críticas em algumas ERPI sem geradores, que exigiram respostas rápidas para garantir a segurança dos utentes”.

O impacto social e psicológico foi significativo, com casos de “ansiedade, medo, stress pós-traumático e desgaste físico” marcando os primeiros dias.

“A intervenção da Segurança Social e dos SAAS (Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social) municipais mitigou muitos destes efeitos, com acompanhamento presencial e apoio contínuo”, declarou Paula Carloto, que sublinhou ainda o papel da comunidade, empresas e voluntariado.

“A cooperação de voluntários, associações e empresas locais foi decisiva na limpeza de destroços, reposição de acessos e apoio às famílias mais isoladas, reforçando a solidariedade e coesão social no distrito”, destacou.

Atualmente, a intervenção “mantém-se numa fase de acompanhamento e monitorização, garantindo que os apoios continuem a chegar a quem precisa e reforçando a preparação para situações futuras através de formação das equipas e identificação clara de recursos no território”, concluiu.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

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