A CONFAGRI alertou para a crescente fragilidade do setor agroalimentar e para o descontentamento dos agentes no terreno, apontando atrasos na reposição do potencial produtivo, ausência de medidas para compensar o aumento dos custos de produção, impasses na sanidade animal e insuficiência orçamental para responder às necessidades de investimento.
A posição foi assumida pelo Conselho de Administração da Confederação, que reuniu esta manhã, dia 23 de março, para avaliar várias situações que, segundo a organização, estão a colocar o setor agroalimentar sob pressão e a dificultar a resposta aos desafios recentes do mercado.
 
De acordo com a CONFAGRI, uma das principais preocupações prende-se com o atraso na reposição do potencial produtivo dos agricultores afetados pelas intempéries. A organização critica também a falta de medidas concretas para o setor agrícola perante a subida dos preços dos fatores de produção, em particular do gasóleo agrícola, num contexto marcado pelo início da guerra no Médio Oriente.
Entre os pontos identificados está ainda a situação de impasse nos laboratórios de sanidade animal, a que se junta, segundo a confederação, a ausência de medidas de contingência para a Dermatose Nodular Contagiosa.
 
A organização aponta igualmente o incumprimento de promessas por parte do Executivo, refletido, segundo afirma, na insuficiente dotação orçamental para responder às necessidades de investimento e às expectativas criadas no setor.
No comunicado, a CONFAGRI diz estar solidária com o sentimento de insatisfação que se faz sentir no terreno que, refere, “começa a atingir níveis alarmantes”.
 
A Confederação apela ao primeiro-ministro para que estas matérias sejam consideradas já no próximo Conselho de Ministros, advertindo que, sem resposta, poderá agravar-se a perceção de falta de consideração pelo setor agroalimentar.
Segundo a organização, essa perceção traduz-se na ideia de que o Governo trata a agricultura “como se fosse o parente pobre da economia”.
 
