Uma startup britânica está a desenvolver um aparelho de exercício concebido para ajudar astronautas a manter a forma física em missões espaciais de longa duração.
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O equipamento de exercício da startup britânica Physical Mind London permite aos astronautas “saltar” em microgravidade, sem necessidade de eletricidade e com menor impacto nas naves espaciais.
O objetivo é criar uma alternativa mais compacta e eficiente aos equipamentos atualmente utilizados na Estação Espacial Internacional e que poderá vir a integrar as futuras missões à Lua e mais além.
Segundo o fundador da empresa e inventor do sistema, John Kennett, o equipamento HIFIm (High Frequency Impulse for Microgravity), foi desenhado para minimizar as forças e vibrações transmitidas à nave espacial.
“Isto permite a realização de mais de 300 exercícios no espaço. Permite aos indivíduos saltar repetidamente em gravidade zero, o que é fenomenal para o desenvolvimento da massa óssea e muscular”, disse à Reuters.
Testes em voo parabólico
Com o apoio da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Espacial do Reino Unido, o dispositivo foi testado em condições de microgravidade a bordo de voos parabólicos, que criam breves períodos de ausência de gravidade.
“Tínhamos de responder a duas perguntas: é possível saltar repetidamente em gravidade zero? E conseguimos reduzir a transmissão de força para a aeronave? A resposta a ambas foi sim”, disse Kennett.
De acordo com o responsável, o sistema demonstrou ser capaz de permitir saltos em microgravidade ao mesmo tempo que reduz as cargas transmitidas à estrutura de suporte.
A equipa de testes incluiu também um amputado de uma perna, no âmbito da avaliação do potencial do equipamento para utilização por astronautas e parastronautas.
Além do uso em órbita, a tecnologia poderá ter aplicações na reabilitação na Terra, segundo a empresa.
A importância do exercício no espaço
Atualmente, os astronautas dedicam cerca de duas horas diárias ao exercício físico, utilizando equipamentos como passadeiras, cicloergómetros e máquinas de resistência.
A prática é essencial para contrariar os efeitos da microgravidade, que provoca perda de massa muscular, diminuição da densidade óssea e alterações no sistema cardiovascular.
A Physical Mind está a colaborar com investigadores da Universidade St. Mary’s, em Twickenham, da Universidade de Salford e da Universidade de Northumbria para validar a tecnologia.
A empresa espera que o equipamento possa vir a ser utilizado no Gateway, a futura estação espacial da ESA e da NASA que deverá orbitar a Lua no âmbito do programa Artemis e que poderá começar a ser construída ainda nesta década.
