A Syngenta realizou o Colóquio Olival e Amendoal, no dia 5 de março, em Beja, reunindo várias dezenas de técnicos para debater os desafios e as oportunidades destas culturas-chave na agricultura nacional.
O impacto das tempestades nos olivais e amendoais e as suas consequências na evolução do preço do azeite e na produtividade da cultura da amêndoa foi o primeiro tema da mesa-redonda. Pepe Ocaña, CEO da empresa Tree Consulting, explicou que na Andaluzia parte da azeitona não foi colhida e a qualidade de alguma azeitona mais tardia foi afetada, levando a um diferencial de preço, pouco habitual, de até 1,5 euros/L entre azeite virgem extra e azeite lampante. “Isto fará com que os preços se mantenham altos para os azeites bons, apesar de haver uma expectativa de descida generalizada do preço do azeite este ano. Porém, a evolução dependerá da produção total em Espanha, se ficará em 1,4 milhões de litros, como se previa, e parece que não, ou se situará em 1,3 milhões (estabilidade de preços) ou em 1,2 milhões (subida de preços)”.
Os amendoais portugueses foram afetados pelas tempestades, nomeadamente, em Coruche, Almeirim e Alcácer do Sal, alguns pomares ficaram submersos e houve árvores arrancadas pela força do vento e da água. Nuno Russo, diretor executivo da Portugal Nuts, relatou que “já se verifica em alguns casos quebras na floração, o que terá impacto na quebra de produtividade, mas teremos que avaliar o impacto real no final do ciclo da cultura”.
A retirada de substâncias ativas e a reduzida taxa de aprovação de novas moléculas na União Europeia é um desafio crescente perante a intensificação das ameaças fitossanitárias. No caso do amendoal, a bactéria Xylella fastidiosa é uma nova ameaça que preocupa o setor, ao passo que a antracnose e a moniliose são doenças com grande impacto nos amendoais portugueses. A Portugal Nuts procura obter soluções fitossanitárias, em parceria com a indústria e a DGAV, e aponta a reconversão dos amendoais com variedades mais resistentes a estas doenças como alternativa no médio prazo.
“O amendoal, por ser considerado ‘Cultura Maior’, ao contrário do que acontece em Espanha ou Itália, limita muito a entrada de novos produtos nesta fileira, por exemplo, através de uma extensão de Uso Menor”, explicou João Cardoso, diretor-executivo da CropLife Portugal, acrescentado que a cada campanha é necessário recorrer a autorizações excecionais de emergência.
“No ano passado houve 27 autorizações de emergência para inseticidas, em geral, verificou-se um aumento exponencial nos últimos dois anos, que é sintomático da retirada de substâncias ativas”, exemplificou.
Na cultura do olival, as principais ameaças são a antracnose, a gafa e a mosca da azeitona, as três em conjunto levam a uma perda de produtividade de 10% a 15% e comprometem a qualidade do azeite na região do Alentejo, no cenário dos olivais em sebe, segundo um estudo realizado pela CropLife Portugal, que avaliou o impacto da retirada de substâncias ativas em diversas culturas em Portugal.
Nesta conjuntura, é necessário mais do que nunca uma estratégia de Proteção Integrada das culturas que inclua fitofarmacêuticos convencionais, soluções biológicas de proteção e bioestimulação e ferramentas digitais, como as armadilhas inteligentes para monitorização de pragas integradas na Cropwise, a plataforma de agricultura digital da Syngenta, que apoiam os agricultores na tomada de decisão sobre os tratamentos, para maior eficácia e menor impacto no meio ambiente.
Paulo Machado, diretor comercial da Syngenta em Portugal, sublinhou o importante investimento da companhia em I&D de novas moléculas, o que lhe permite lançar novos produtos inovadores como o fungicida MIRAVIS®, com a tecnologia Adepidyn™, aplicado na Europa pela primeira vez em Portugal, em 2025, com uma Autorização Excecional de Emergência para a estenfiliose da pereira, que foi renovada para 2026. A Syngenta também submeteu o MIRAVIS® a homologação, em Portugal, para aplicação na cultura da amendoeira, entre outras.
Efuzin – novo fungicida para controlo de gafa e olho-de-pavão
Gilberto Lopes, field expert da Syngenta, apresentou o Efuzin, um novo fungicida no portfolio da Syngenta, à base de Dodina, uma substância ativa da família das Guanidinas, homologado para o controlo da gafa e do olho-de-pavão. Entre as vantagens do Efuzin destacam-se: menor risco de desfoliação do que os cobre em olivais afetados por olho-de-pavão; o seu modo de ação multisitio, com menor risco de resistência. Este fungicida é ideal na primavera e no inverno, coincidindo com a máxima esporulação do olho-de-pavão, e é particularmente indicado quando a doença está instalada (ação curativa), quando há elevada pressão de infeção e há risco de chuva frequente.
Francisco Medeiro, técnico Syngenta da região Sul, destacou o Amistar Top® como uma solução importante para controlo de olho-de-pavão; é um fungicida sistémico formulado em mistura pronta à base de azoxistrobina e difenoconazol, com dois modos de ação distintos, que atuam de forma sinérgica.
João Bilro, Técnico Gestor Conta Distribuidor no Sul de Portugal, apresentou a gama de bioestimulantes, onde se destacam os produtos Vitaseve, Megafol e MCExtra.
