Durante a situação de calamidade, o Hospital de Leiria recebeu cerca de dois mil feridos, a maioria devido a quedas de telhados. Em apenas seis horas foram tratadas mais de 170 pessoas.
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João Santos chegou ao Hospital de Leiria no dia 28 de janeiro depois de uma tarde a reparar o telhado da mãe. No momento não percebeu a gravidade da situação.
Em declarações à SIC, recorda que nos primeiros dez minutos nem dores sentiu. Só quando olhou, percebeu o impacto da queda.
As horas que se seguiram foram de angústia. O percurso que antes demorava minutos com os acessos condicionados devido à passagem da tempestade passou para quase três horas.
Assim que chegou ao Hospital Santo André, em Leiria, o diagnóstico foi duro. Entrou para o bloco operatório com o risco de ter um pé amputado.
A dimensão da tragédia era desconhecida para quase todos devido à falta de comunicações. No Hospital de Leiria, assim que as primeiras equipas chegaram na manhã de 28 de janeiro perceberam, em poucos minutos, as graves consequências.
O gabinete de crise foi ativado de imediato, ou seja, toda a atividade programada como consultas de rotina ou operações foi cancelada. Elementos do conselho de administração do hospital ficaram dias sem ir a casa.
Apesar das limitações, os centros de saúde continuaram a funcionar, mas no hospital as dificuldades eram cada vez mais.
A entrada de chuva nos pisos superiores obrigou à retirada dos doentes paliativos. A estes casos somaram-se também os de intoxicação por monóxido de carbono devido aos geradores.
Manuel Santos de Carvalho, presidente do conselho de administração, recorda os dias difíceis e lembra que os próximos meses vão trazer novos desafios.
As marcas da tempestade Kristin continuam presentes. No interior, ao piso da ortopedia continuam a chegar feridos na sequência de quedas de telhados.
