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Trump diz que está a ponderar possibilidade dos EUA saírem da NATO

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Donald Trump afirmou, em entrevista ao The Telegraph, que está a ponderar seriamente retirar os Estados Unidos da NATO, depois de a Aliança Atlântica não se ter juntado à guerra no Médio Oriente.

Kevin Lamarque

O presidente norte-americano afirmou que a aliança era um “tigre de papel” (algo que parece forte e ameaçador, mas que, na verdade, é fraco e inofensivo).

A possibilidade de os EUA saírem da NATO surge depois de países membros da aliança militar terem recusado participar na operação desencadeada em conjunto com Israel contra o Irão, nomeadamente nos esforços das forças norte-americanas na reabertura do estreito de Ormuz.

Questionado se iria reconsiderar a adesão dos EUA à NATO após o conflito, Trump afirmou que esse cenário estava fora de questão.

“Diria que [isso] está para além de qualquer reconsideração. Nunca me deixei influenciar pela NATO. Sempre soube que eram um tigre de papel e, já agora, o Putin também sabe disso”, afirmou Donald Trump.

De entre os países da aliança, Donald Trump destacou o Reino Unido, criticando o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, por se recusar a participar nos ataques contra o Irão. O presidente norte-americano sugeriu que a Marinha Real não estava à altura para o fazer.

“Vocês [Reino Unido] nem sequer têm uma marinha. Estão demasiado antiquados e tinham porta-aviões que não funcionavam”, afirmou, referindo-se ao estado da frota de navios de guerra britânica.

Quando questionado sobre se o primeiro-ministro britânico deveria investir mais na defesa, Trump acrescentou: “Não vou dizer-lhe o que fazer. Ele pode fazer o que quiser. Não importa. Tudo o que o Starmer quer são moinhos de vento caros que estão a fazer disparar os preços da energia.”

Desagrado com a NATO

Esta não é a primeira demonstração de desagrado da Administração Trump face à NATO. A Casa Branca tem-se, alías, mostrado cada vez mais desapontada com os aliados devido à posição que escolheram desempenhar na guerra.

Marco Rubio, o secretário de Estado dos EUA, acusou, na terça-feira, a NATO de ser uma “via de sentido único”, ao criticar os aliados por não permitirem o acesso dos EUA às suas bases militares.

Em declarações à Fox News, Rubio afirmou que os Estados Unidos teriam de “reavaliar” a sua adesão à NATO quando a guerra no Irão chegasse ao fim.

“Penso que não há dúvida, infelizmente, de que, após a conclusão deste conflito, teremos de reexaminar essa relação (…) “Se a NATO se resume a nós defendermos a Europa caso seja atacada, mas eles nos negarem direitos de base quando precisamos deles, isso não é um acordo muito bom. É difícil manter-se envolvido numa situação dessas”, disse Rubio, citado pelo The Telegraph.

Em reação, Donald Trump disse que estava “satisfeito” por Marco Rubio ter proferido esses comentários.

Donald Trump tem agendado um discurso à nação para esta quarta-feira, às 21h00 EST (02h00 da manhã em Lisboa). Espera-se que o presidente norte-americano apresente uma atualização sobre o estado da guerra no Médio Oriente, depois de na terça-feira ter afirmado que a guerra poderia terminar dentro de duas ou três semanas.

Cláusula de defesa mútua não se aplica

Na semana passada, o The Telegraph revelou que Trump estava a considerar uma reestruturação da NATO para a punir os membros que não cumprissem as suas exigências de financiamento.

Um conjunto de membros da administração tem pressionado por um “modelo de pagamento para participar” que poderia impedir os aliados de participar na tomada de decisões, incluindo situações em que o bloco entrasse em guerra.

A exigência de Trump para que a NATO o ajude na guerra contra o Irão suscitou questões sobre o Artigo 5.º, a cláusula de defesa mútua que estabelece que “um ataque a um é um ataque a todos”.

A cláusula só foi invocada uma vez, após os ataques de 11 de setembro contra os EUA. A cláusula de defesa mútua refere-se apenas a situações em que um membro da NATO é atacado e, por conseguinte, não se aplicaria à guerra no Irão, que teve início com ataques aéreos conjuntos dos EUA e de Israel a 28 de fevereiro.



SIC Noticias

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