Nas últimas horas, o Presidente dos Estados Unidos demitiu Pam Bondi, a procuradora-geral, já o secretário da Defesa decidiu afastar o general que liderava o Exército. A lista pode continuar a aumentar e um dos nomes que poderá estar em risco é o do diretor do FBI.
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Uma purga sem fim que alastra a sensíveis cargos de topo da administração. A purga começou logo após a posse, há 14 meses, mas, nas últimas semanas, chegou aos mais fiéis servidores do Presidente.
A revista The Atlantic, citando fontes que considera conhecedoras dos planos de Trump, refere a saída para breve do diretor do FBI, Kash Patel, do secretário do Exército, Daniel Driscoll e da secretária do Trabalho, Lori Chavez-DeRemer.
Confirmada e fechada está a saída da fiel e leal Pam Bondi. A procuradora-geral foi demitida, não por ter quebrado os laços de servidão ao Presidente, mas porque a lealdade, por mais ofuscante que seja, não basta.
Trump usou a lealdade de Pam Bondi para que a procuradora-geral perseguisse três dos seus principais inimigos – Jerome Powell, o presidente da Reserva Federal, Jim Comey, que liderou o FBI até ser demitido por Trump no arranque do primeiro mandato, e Letitia James, a democrata que ainda se mantém como procuradora-geral de Nova Iorque. Os três escaparam às desastradas investidas de Bondi.
Ficheiros Epstein poderão ter pesado
Onde a fraca prestação da procuradora-geral provocou maior embaraço ao Presidente foi no sensível dossiê dos arquivos do predador sexual e ex-amigo de Trump, Jeffrey Epstein.
Durante um declaração, Bondi não percebeu que Trump estava a ser retórico. Quis que ela se calasse, mas ela não se calou e enrolou-se no discurso.
Na semana seguinte, a procuradora-geral já tinha aprendido a lição.
Já este ano, em fevereiro, foi ouvida no Congresso por causa dos ziguezagues associados à libertação dos ficheiros Epstein. Nessa audiência, surgiu uma Pam Bondi fria, cega ao desejo de defender Trump.
A procuradora-geral da República ignorou as vítimas do predador. Nunca as olhou de frente e nunca lhes pediu desculpa. Limitou-se a elogiar os feitos do Presidente.
Pam esforçou-se para agradar, mas sai sem honra nem glória. Trump colocou interinamente no cargo o procurador-geral adjunto, Todd Blanche.
Tem no currículo uma linha a favor dele: foi advogado de Trump no caso do suborno à estrela porno com quem o atual Presidente se envolveu.
Mudanças no Exército
A saída de Pam Bondi deu tanto nas vistas que quase oblitera o efeito da demissão do chefe de Estado Maior do Exército.
Randy George estava no cargo desde 2023, deveria ficar até 2027, mas Pete Hegseth, o secretário da Defesa, afastou-o. O antigo apresentador de um ‘talk show’ na Fox News tem feito uma limpeza no Pentágono.
Para cumprir a agenda de guerra de Donald trump, às mãos de Hegseth já cairam diversos generais e almirantes do topo da hierarquia.
Pam Bondi e Randy George são as demissões forçadas mais recentes. Há menos de um mês, Donald trump tinha afastado Kristi Noem, a secretária da Segurança Interna.
Noem foi o bode expiatório da agitação provocada pela polícia das fronteiras, que atingiu o ponto máximo com o assassinato de dois cidadãos norte-americanos por operacionais da temível brigada do ICE.
