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Ucrânia sublinha progressos nas negociações em Genebra, Rússia admite nova ronda


Guerra Rússia-Ucrânia

Segundo o chefe da delegação ucraniana, Rustem Umerov, a próxima etapa consistirá “em obter o consenso necessário” para submeter um documento à análise dos presidentes.

Ucrânia sublinha progressos nas negociações em Genebra, Rússia admite nova ronda

Cecile Mantovani

As conversações entre ucranianos, russos e norte-americanos resultaram em progressos, anunciou esta quarta-feira o chefe da delegação ucraniana, Rustem Umerov, no final das discussões em Genebra.

“Este trabalho complexo exige o acordo de todas as partes e um prazo suficiente. Há progressos, mas nenhuns detalhes podem ser divulgados nesta fase”, declarou Umerov.

As conversações, qualificadas como “intensas e substanciais” por Umerov, terminaram hoje de manhã após menos de duas horas de discussões.

Segundo o chefe da delegação ucraniana, a próxima etapa consistirá “em obter o consenso necessário” para submeter um documento à análise dos presidentes.

“Vários pontos foram clarificados, enquanto outros exigem uma coordenação adicional”, explicou, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Umerov disse que a tarefa consiste em “preparar um quadro prático, e não apenas formal”.

Para a Ucrânia, “o objetivo final permanece inalterado: uma paz justa e duradoura”, acrescentou.

O chefe dos negociadores russos, Vladimir Medinsky, também disse que as conversações “foram difíceis, mas substanciais”, sem revelar pormenores.

Medinsky admitiu uma nova ronda “em breve”, mas também sem precisar uma data.

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O enviado norte-americano Steve Witkoff afirmou nas redes sociais que o esforço de Washington pela paz na Ucrânia ao longo do último ano “alcançou progressos significativos“.

Witkoff também não adiantou qualquer pormenor sobre os progressos, segundo a agência norte-americana The Associated Press (AP).

Já o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, admitiu avanços na definição dos mecanismos de verificação de um eventual cessar-fogo, para o qual continua a não haver acordo.

“Os militares sabem como monitorizar um cessar-fogo e o fim da guerra para quando houver vontade política”, disse Zelensky, citado pela agência espanhola EFE.

Zelensky, que horas antes afirmara tratar-se de conversações difíceis e acusara Moscovo de tentar atrasar o processo, assinalou também que não foram alcançados avanços na parte política.

Referiu igualmente que as posições de Kiev e Moscovo continuam a divergir em pontos-chave.

“Pode ver-se que foi feito um certo trabalho preparatório, mas, por enquanto, as posições divergem”, afirmou, citado pela AFP.

Zelensky referiu-se a “negociações nada fáceis”, em particular sobre as “questões sensíveis” dos territórios exigidos por Moscovo e da central nuclear de Zaporíjia ocupada pelo exército russo.

A Rússia exige que a Ucrânia retire as forças das quatro regiões que as tropas russas ocupam, mas não controlam totalmente.

Zelensky reitera que a Ucrânia não entregará território à Rússia.

O porta-voz do Kremlin (presidência russa), Dmitri Peskov, disse que era “demasiado cedo” para falar sobre os resultados.

O Presidente russo, Vladimir Putin, tem recebido relatórios sobre o andamento das conversações, acrescentou.

Os encontros em Genebra duraram seis horas na terça-feira, mas apenas cerca de duas horas hoje.

As negociações visam pôr fim à guerra da Rússia contra a Ucrânia, iniciada com a invasão ordenada pelo Presidente Vladimir Putin há quatro anos, em 24 de fevereiro de 2022.

As conversações realizaram-se enquanto os dois exércitos permanecem bloqueados em combates na linha da frente de aproximadamente 1.250 quilómetros e a Rússia bombardeia diariamente áreas civis da Ucrânia.

Zelensky revelou que os enviados ucranianos e norte-americanos se reuniram na terça-feira com representantes do Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Suíça.

Os líderes europeus afirmam que a segurança da Europa está em jogo na Ucrânia e têm insistido em ser consultados nos esforços de paz.



SIC Noticias

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