A União Europeia (UE) doou a Angola 50 milhões de euros para desenvolver as culturas de grãos, hortícolas e frutos tropicais em cinco províncias do Corredor do Lobito, infraestrutura ferroviária que atravessa o país.
O acordo de financiamento, no âmbito do Projeto AGRINVEST – Oportunidades e Competitividade nas Cadeias de Valor Agroalimentares do Corredor do Lobito, foi assinado pela embaixadora da UE em Angola, Rosário Bento Pais, e pelo ministro do Planeamento angolano, Victor Hugo Guilherme.
Em declarações à imprensa, Rosário Bento Pais disse que o acordo de financiamento visa contribuir para o desenvolvimento do Corredor do Lobito com implicações em vários setores, nomeadamente o da agricultura, transportes e indústria e comércio.
“Em que vamos exatamente contribuir, para a criação de emprego, sobretudo para jovens e mulheres (…) para que se desenvolva na área agrícola estas três cadeias de valor para produção interna, com vista futuramente à exportação”, referiu a embaixadora da UE em Angola.
Segundo Rosário Bento Pais, os microfinanciamentos aos produtores vão ser disponibilizados por meio de várias agências dos Estados-membros da UE, visando contribuir para a diversificação económica de Angola, desde a produção até à criação de cooperativas, beneficiando cerca de 300 pequenos agricultores.
A diplomata europeia realçou que o projeto inclui igualmente uma parte para a criação de infraestruturas necessárias de acesso e escoamento das produções agrícolas.
“Vai haver o pequeno financiamento e o financiamento superior para pequenas e médias empresas, através das ações que vão ser concretizadas pelas agências de desenvolvimento, em particular dos Estados-membros e outros parceiros internacionais”, disse.
Por sua vez, Victor Hugo Guilherme congratulou-se com a contribuição de mais um parceiro para o desenvolvimento de Angola, sobretudo do Corredor do Lobito.
O ministro do Planeamento de Angola frisou que há cada vez mais parceiros a associar-se ao desenvolvimento do Corredor do Lobito, no qual se concentram quase todos os financiadores, doadores, parceiros de desenvolvimento e organizações multilaterais do Governo angolano.
“Estamos a falar do Banco Mundial, o Banco Africano de Desenvolvimento, a União Europeia, o sistema das Nações Unidas, com todas as suas agências estão lá, o setor privado”, disse o governante angolano.
Victor Hugo Guilherme realçou que o trabalho de angariar financiamentos está a ser feito pelas autoridades angolanas “de uma maneira muito ativa e coordenada” para aquele corredor: “por essa razão a cada dia que passa os financiamentos têm vindo para o desenvolvimento desta região”.
O projeto com duração de seis anos vai ser desenvolvido em Angola nas províncias de Benguela, Huambo, Bié, Moxico, Moxico Leste, regiões de elevado potencial agrícola que integram o Corredor do Lobito.
O Corredor do Lobito é uma infraestrutura ferroviária que parte do Porto do Lobito, em Angola, atravessando o país ao longo de 1.300 quilómetros, até à fronteira com a República Democrática do Congo, onde se conecta à rede ferroviária de regiões mineiras congolesas, estando prevista a sua expansão até à Zâmbia.
