Portugal esteve entre os países mais afetados pela época de incêndios florestais de 2025, a mais devastadora já registada na União Europeia (UE), segundo dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS).
De acordo com a monitorização por satélite, uma vaga de calor prolongada em agosto contribuiu para a ocorrência de 22 grandes incêndios em Portugal e Espanha, responsáveis por 460.585 hectares ardidos. Este valor representa quase metade do total de mais de um milhão de hectares queimados na UE ao longo do ano.
 
No conjunto dos 25 países analisados, o EFFIS registou 7.783 incêndios florestais. A época começou mais cedo do que o habitual, com mais de 100 mil hectares destruídos até ao final de março, e prolongou-se com elevada intensidade durante o verão, especialmente na região mediterrânica, segundo a informação divulgada.
Os dados indicam uma alteração dos padrões de risco, com incêndios a ocorrerem mais cedo no ano, maior duração das épocas críticas e maior intensidade associada a ondas de calor.
 
A propagação do fogo a latitudes mais elevadas, incluindo regiões anteriormente consideradas de baixo risco, é outro dos sinais identificados.
Perante este cenário, a Comissão Europeia adotou, a 25 de março, uma nova estratégia para reforçar a resposta aos incêndios florestais, abrangendo prevenção, preparação, resposta e recuperação.
 
Entre as medidas previstas estão o reforço da monitorização através do EFFIS e do programa Copernicus, o aumento da capacidade operacional com uma frota europeia de meios aéreos, o pré-posicionamento de bombeiros e a criação de uma plataforma europeia de combate a incêndios com sede em Chipre.
A estratégia inclui ainda ações de gestão sustentável dos solos e de restauração da natureza, com o objetivo de promover paisagens mais resilientes ao fogo, bem como a integração do risco de incêndio nos instrumentos de financiamento da União Europeia.
 
Segundo a Comissão Europeia, o aumento da severidade e da duração das épocas de incêndios confirma que este risco deixou de ser apenas sazonal, passando a ter um caráter estrutural, com impacto direto nos territórios e nas atividades económicas, incluindo o setor agrícola e florestal.
