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O que devia ter sido mais um fim de semana na companhia do pai acabou por ser o fim de uma curta vida. A tragédia ocorreu a 31 de maio do ano passado.
Pai e filho escolheram o Parque Zeca Afonso, na Baixa da Banheira, para passar a tarde. Depois de brincadeiras e corridas, por volta das 17h00, Gilberto Menezes deixou de ver o filho. Seguiram-se buscas no local.
O desfecho surgiu por volta das 22h00, quando o menino foi encontrado sem vida no fundo de uma das piscinas do complexo camarário, que se encontrava encerrado devido a obras.
Gabriel Menezes nasceu no Hospital do Barreiro a 25 de agosto de 2020. Era filho de Bruna Gouveia e de Gilberto Menezes. Gilberto Menezes foi diagnosticado com psicose esquizofrénica, fazendo medicação intravenosa mensal. Bruna Gouveia é seguida em consulta de psiquiatria por atraso no desenvolvimento mental. Ainda na maternidade, o bebé foi sinalizado pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ).
Após a alta, mãe e filho foram viver para casa da avó materna, Maria João, a quem foi atribuída a tutela provisória do menino. Quinze dias depois, Bruna decidiu voltar a viver com Gilberto Menezes, ficando Gabriel com a avó.
O processo de promoção e proteção foi remetido para o Tribunal de Família e Menores do Barreiro. Durante o primeiro ano de vida, ficou definido que o menino seria levado pela avó para visitas com os pais.
Entretanto, a mãe deixou de viver com o pai de Gabriel, passando a residir com um novo companheiro, de quem engravidou.
As visitas ao pai mantiveram-se de 15 em 15 dias, apesar do diagnóstico de esquizofrenia. A avó garante que alertou as assistentes sociais para o facto de Gilberto Menezes não ter condições para cuidar do filho e afirma que Gabriel não gostava de passar tempo com o progenitor.
O pai apresenta outra explicação para a atitude da criança e, num discurso considerado errante, recusa o diagnóstico de esquizofrenia, apresentando uma explicação incoerente para negar a doença.
Avó defende que é urgente apurar responsabilidades
A esquizofrenia de Gilberto Menezes consta nos documentos do Tribunal de Menores. Ainda assim, foi-lhe permitido ficar sozinho com o filho, como aconteceu naquele dia. Na sexta-feira, 30 de maio, a avó entregou o neto ao pai, conforme determinado pelo tribunal.
Nesse dia, pai e filho deslocaram-se ao Parque Zeca Afonso. Gilberto afirma que foi ao restaurante do complexo das piscinas comprar um gelado para o filho e que, ao sair, encontrou dois amigos, com quem ficou a conversar. Terá sido nesse momento que a criança desapareceu.
A PSP deslocou-se ao local e várias pessoas participaram nas buscas. Ao cair da noite, não havia ainda qualquer sinal de Gabriel.
O recinto das piscinas não foi inicialmente considerado nas buscas, uma vez que se encontrava fechado e vedado com muros de mais de dois metros de altura. Gabriel media cerca de 1,10 metros.
Apesar disso, dois jovens decidiram saltar o muro. No interior, encontraram roupa da criança espalhada pelo chão.
O corpo de Gabriel foi encontrado no fundo da piscina, já depois das 22h00. Os agentes da PSP ainda realizaram manobras de reanimação até à chegada dos bombeiros e do INEM, mas sem sucesso.
Continua por esclarecer como a criança conseguiu entrar no complexo. A avó defende que é urgente apurar responsabilidades e não acredita que o neto tenha conseguido ultrapassar sozinho a vedação.
Família ainda não teve acesso ao relatório da autópsia
O caso foi entregue à Polícia Judiciária de Setúbal, que inicialmente não descartou a hipótese de crime. O processo seguiu depois para o Departamento de Investigação e Ação Penal da Moita.
A família ainda não teve acesso ao relatório da autópsia. De forma informal, terá recebido a indicação de que a morte terá ocorrido por afogamento.
Até ao momento, não houve qualquer acusação e a família materna continua sem respostas para o desaparecimento e morte da criança.
Ficha Técnica:
- Jornalista: Ana Paula Félix
- Imagem: Vítor Caldas
- Edição de Imagem: Ana Rita Sena
- Drone: 4KFLY
- Grafismo: Carla Gonçalves
- Produção Editorial: Teresa Dinis Basso
- Direção: Marta Brito dos Reis e Bernardo Ferrão
