Cultura

Varandas e Bruno Sá debateram o futuro do Sporting antes das eleições


Desporto

O recandidato Frederico Varandas mostrou-se focado em consolidar o trabalho na presidência do Sporting com um terceiro mandato seguido, caso vença nas eleições de sábado Bruno Sorreluz, crítico da gestão financeira dos bicampeões nacionais de futebol.

ANTÓNIO PEDRO SANTOS

“Lançámos um plano estratégico a 10 anos e esta recandidatura é para continuar o que começámos. Passámos de gigante adormecido para número um em títulos em apenas sete anos”, observou o líder ‘leonino’ no frente a frente com o adversário.

“Não me candidato contra ninguém, mas por uma ideia muito diferente da atual, que é baseada nos clientes e no autoelogio constante. Varandas quer um Sporting como centro de entretenimento, eu quero um clube dos sócios e virado para as pessoas”, contrapôs o proprietário do restaurante ‘Cantinho do Sá’, que também foi ginasta e basquetebolista nos ‘leões’.

Num debate marcado pela sustentabilidade financeira do Sporting, Sorreluz questionou quem vai pagar a emissão de 225 milhões de euros (M€) de obrigações efetuada pela SAD Sporting do em 2025, através da sociedade Sporting Entertainment, para financiar a renovação faseada do Estádio José Alvalade.

“O clube tem um passivo de 500 M€ e dívidas a fornecedores de 119 M€. O investimento é de louvar, mas exijo transparência. Algum dia temos de pagar as dívidas e nem contabilizei os juros que teremos a 28 anos”, disse.

Enaltecendo a obtenção de resultados líquidos positivos nos últimos quatro exercícios financeiros, Varandas lamentou a ausência de investimento infraestrutural no estádio antes dos seus mandatos e justificou o aumento do passivo como uma “forma estratégica para dobrar receitas em 10 anos”.

“Para continuar a investir e ser competitivo, o Sporting fazia-o com capitais próprios ou financiava-se. Somos um clube altamente credível do ponto de vista financeiro, achámos que era o momento de investir e o mercado deu razão: houve nove vezes mais procura [face à oferta]. A receita gerada pelo investimento vai pagar confortavelmente os custos do empréstimo”, vincou.

“Tenho receio que tenha de ser a ‘troika’ do Sporting”

Frederico Varandas negou também a acusação feita por Bruno Sorreluz de que terá aumentado seis vezes os prémios auferidos por época, com o empresário a falar na necessidade de conseguir “novas fontes de receitas”.

“Tenho receio que tenha de ser a ‘troika’ do Sporting. O Frederico faz-me lembrar uma pessoa que esteve no Governo, empurrava sempre com a barriga para a frente e levou-nos a chamar a ‘troika'”, sublinhou, rejeitando vender a maioria do capital social da SAD do Sporting e fazendo depender da decisão dos associados a entrada de um investidor minoritário externo.

Defensor da mesma ideia, Varandas garantiu não haver negociações com um parceiro estratégico para alavancar o projeto do clube, por entre acusações de Sorreluz de que a atual direção seja “alérgica a pessoas”.

“Ninguém pode ficar de fora. Todos os sócios são importantes. Claro que o meio-termo é difícil alcançar, mas o Sporting está muito virado para o ‘corporate’. O que interessa ganhar e ter a família toda de fora?”, lançou.

O empresário denunciou ainda o distanciamento entre a direção do clube e os grupos organizados de adeptos (GOA), cenário desdramatizado por Varandas, ao lembrar que três das quatro claques “não querem estar” nas ZCEAP (Zonas com Condições Especiais de Acesso e Permanência) do estádio.

“O Sporting não tem problemas com os GOA. Respeitamos todos e só há um que aceitou ser oficial. Estamos muito gratos pelo apoio dos GOA, que foram fundamentais na conquista de inúmeros títulos. Agora, gostaríamos de dar melhores condições e criar uma bancada de peão, mas há GOA que se recusam a ir para as ZCEAP, porque não querem ser identificados”, terminou.



SIC Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *